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Formar novos leitores é um desafio, que se torna ainda mais difícil com as transformações tecnológicas, como a IA (Inteligência Artificial), e acesso à informação instantâneo e ilimitado. Infelizmente, tal facilidade não se traduz em alta do hábito da leitura. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil 24% das crianças de até 5 anos não têm livro infantil ou de figuras em casa.
Pais e professores têm diferentes influências nisso. Os pais devem incentivar a leitura em casa, desde cedo. Já o professor auxilia o aluno a desenvolver habilidades para que se torne um leitor. Crianças que leem todos os dias têm um desempenho melhor em testes. Também desenvolvem um vocabulário mais amplo, maior conhecimento geral e a capacidade de pensar de forma crítica.
A leitura é uma das habilidades que mais desenvolve o cérebro, por ser um processo de decodificação. É importante entender que o cérebro não nasceu para aprender a ler e escrever. Quando a gente faz esse processo de neuroplasticidade, abrem-se portas para se estruturar habilidades valiosas para outras questões do desenvolvimento, como, por exemplo, o vocabulário.
Ler dá autonomia e conhecimentos em relação ao mundo. A escrita possibilita produzir conhecimento. A queda no hábito traz impacto cognitivo significativo, em crianças e adolescentes, pois limita todo o potencial, e em termos de neuroplasticidade, vocabulário, expressão e protagonismo do conhecimento.
Para torná-la mais prazerosa e acessível a estudantes com dislexia, TDAH ou outros transtornos, as estratégias têm que estar pautadas em um bom processo de alfabetização. Habilidades como o conhecimento alfabético, consciência fonológica, nomeação automática rápida, vocabulário, compreensão oral e memória fonológica se desenvolvem antes ou durante as fases iniciais da alfabetização. São conceitos essenciais, pois são habilidades que preparam e solidificam o processo de alfabetização e compreensão de leitura. No caso dos transtornos, isso precisa ser melhor trabalhado.
Esse hábito pode e deve ser resgatado em larga escala. Crianças aprendem com o que veem, com o exemplo. É importante resgatar pela nossa atitude, valorização por menos tela e mais tempo no livro, até porque o nosso cérebro é plástico, mas depende de um ambiente que cultive essa prioridade.
Além disso, busque temas de interesse da criança para tornar o hábito atrativo e cativante. Compartilhe histórias que gostava na infância para fortalecer o vínculo. Visite livrarias e deixe-os escolher o que os atraiam. A leitura é um presente que pode e deve ser compartilhado de geração em geração.
Luciana Brites é psicopedagoga e CEO do Instituto NeuroSaber.
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