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SP vai travar de vez. Não vai demorar

Marli Gonçalves
14/12/2025 | 06:05
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 Já está parando por tanta coisa malcuidada, mal administrada. É distópico o ambiente onde construções derrubam memórias, empresas deixam sem luz, água e comunicação, locomoção quase impossível. Não há planejamento. São Paulo agora trava até sem motivo climático, alguns dias piores que outros. Tudo é muito, e a Lei da Física que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo se demonstra diariamente. A cidade não está preparada para nada que saia um pouco da rotina.

Não há planos de contingência, milhões de moradores sem luz, alguns até agora, muitos ainda sem água; fazem fila para dar depoimentos comoventes aos noticiários, contando amarguras ao tentar contatar as empresas irresponsáveis. Que respondem com notas frias e contas caras. Privatizadas, eram esperança. Eram. Vide ainda o que ocorreu no Aeroporto de Congonhas, com milhares batendo cabeça, sem amparo e sem orientação.

A Câmara de São Paulo, só ainda não tão vergonhosa quanto a Federal que tomou medidas assustadoras essa semana no embate com outros poderes, continua lá, grosseira, aumentando impostos para nós e os seus próprios salários, liberando incorporações e pedidos de poderosos. Não conhecendo a cidade que, como vereadores, deveriam representar e proteger. O exemplo recente, o projeto de lei para regularizar o uso de motos por aplicativos, tão estranho que as próprias empresas que o esperavam desistiram de operar. Não achariam motoqueiros verdadeiros anjinhos que pudessem atender tantas regras, pré-requisitos, não pode isso ou aquilo, circular aqui ou ali. Continuará sendo irregular o transporte por motos, usado rotineiramente e por necessidade.

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Rodízio? Cada dia mais carros trafegando, liberados elétricos, híbridos, de quem pode comprá-los. A greve dos motoristas de ônibus durou algumas horas, decidida pela categoria numa tarde de chuvas e ventos, sem aviso prévio e por mais “justa” que fosse a reivindicação, cruel. Com a ordem do sindicato muitos despejaram passageiros pelo meio do caminho, fechando as portas e nem concluindo a viagem até o ponto final. Os aplicativos e seus preços flutuantes descontrolados obrigando a longas caminhadas na volta para casa.

São Paulo, na verdade, a metrópole, não pode continuar cruel assim com seus habitantes, sujeitos à violência, cada dia mais estressados, com necessidades básicas não atendidas. A decadência dos serviços e infraestrutura, zeladoria desleixada, suja. Se parar, se travar de vez, pode ser um perigo. Muita gente junta e revoltada não tem boas ideias.

Marli Gonçalves é jornalista, cronista, assessora e consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo e autora de Feminismo no Cotidiano.




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