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Clima extremo: impactos na indústria

Mauro Miaguti
12/12/2025 | 09:21
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A ventania registrada em 10 de dezembro, provocada pela passagem de um ciclone extratropical, trouxe para o Grande ABC um cenário que até pouco tempo atrás era considerado excepcional. Rajadas superiores a 80 km/h atingiram São Bernardo, derrubaram árvores, danificaram estruturas, comprometeram vias importantes e causaram longas interrupções no fornecimento de energia em toda a região. Apenas no Grande ABC, cerca de 700 mil consumidores foram afetados, segundo dados divulgados por veículos de imprensa com base na Defesa Civil e nos órgãos meteorológicos.

O que antes era uma raridade meteorológica tende a se tornar parte da nossa realidade. As mudanças climáticas globais têm intensificado a frequência e a severidade de tempestades, ondas de calor, vendavais e episódios de instabilidade que pressionam toda a infraestrutura urbana. O episódio do dia 10 evidencia que não se trata apenas de um fenômeno climático, mas de um alerta sobre a necessidade de adaptação das cidades e de suas redes essenciais.

Nesse contexto, a responsabilidade deve ser compartilhada. É fundamental que o poder público, as instituições fornecedoras de serviços básicos, a iniciativa privada e a sociedade civil compreendam a urgência do tema. Redes elétricas mais resilientes, manejo preventivo da arborização, protocolos de contingência atualizados e investimentos permanentes em infraestrutura deixam de ser escolhas e passam a ser requisitos para proteger vidas e evitar prejuízos econômicos expressivos.

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As indústrias de São Bernardo, setor que emprega milhares de pessoas e sustenta grande parte da economia local, também foram impactadas pela paralisação forçada. Horas sem energia representam perda de produção, atrasos logísticos e riscos operacionais. O Ciesp está mobilizado para consolidar dados enviados pelas empresas associadas e apresentá-los oficialmente à Enel, solicitando prioridade na normalização dos serviços, além de medidas estruturais que previnam recorrências.

Ao mesmo tempo, defendemos o avanço de uma agenda de responsabilidade social e sustentabilidade, na qual cada instituição reconheça seu papel na construção de uma região mais segura e preparada. Quando falamos de clima, não tratamos apenas do ambiente; tratamos de pessoas, empregos, desenvolvimento e qualidade de vida.

O episódio do dia 10 deve ser compreendido como um divisor de águas. Se eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes, precisamos estar à altura do desafio. A resiliência do Grande ABC dependerá da capacidade de agir agora, com planejamento, diálogo e compromisso coletivo.

Mauro Miaguti é diretor titular do Ciesp São Bernardo.




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