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Grande ABC tem segundo dia na escuridão e moradores apontam descaso da Enel SP

Região registra rajadas de até 98 km/h com cerca de 380 ocorrências envolvendo árvores

Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
11/12/2025 | 23:32
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Moradores do Grande ABC ainda sentem os impactos provocados pela falta de energia e água após o vendaval histórico que atingiu a região na quarta-feira (10). Segundo balanço das prefeituras, nos dois dias, cerca de 380 ocorrências com árvores foram registradas nas sete cidades durante o ciclone extratropical, que registrou rajadas de até 98 km por hora.

Até às 22h de ontem, a região ainda somava 132.891 imóveis sem energia, sendo 44.274 em Santo André, 31.744 em São Bernardo, 7.124 em São Caetano, 17.549 em Diadema, 25.395 em Mauá, 4.723 em Ribeirão Pires e 2.082 em Rio Grande da Serra.

O impacto atinge também o abastecimento de água. Até a tarde de quinta-feira, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) informou que os sistemas em Mauá estavam totalmente paralisados e que o fornecimento seguia instável em Santo André. Em São Bernardo e Diadema, parte dos bairros permanecia sem recomposição plena, enquanto caminhões-pipa atendiam casos emergenciais.

DGABC

Entre os moradores, o sentimento dominante é de esgotamento diante da recorrência dos apagões. Marcelo Augusto de Macedo, 48 anos, morador da Vila Jurubatuba, no Riacho Grande, em São Bernardo, passou o aniversário, comemorado nesta quinta-feira (11), no escuro. Ele relata que perde alimentos com frequência. 

“Não é só a ventania. É recorrente, toda semana”, afirmou. Segundo ele, a instabilidade obriga a família a tomar banho e fazer refeições na casa de parentes, já que também ficaram sem água por depender de um poço que abastece a região. “Moro aqui há 14 anos e sempre foi assim”, diz.

O cabeleireiro Adriano Manoel Ribeiro, 46, companheiro Macedo, conta que precisa recusar atendimentos e até ofertas de trabalho porque depende de energia e internet. “Agendo o cliente e no dia não tem luz. Também não tem água, porque aqui é tudo por poço. Já recusei emprego home office porque não dá para confiar”, relata.

Em Santo André, comerciantes também sentiram o prejuízo. A analista comercial de uma gráfica, Bianca Chiconatto Tiosi, 31, diz que a empresa enfrenta atraso generalizado por parte da Enel.  “Os prazos mudam toda hora e não são cumpridos. Temos muitos clientes que não conseguem ser atendidos. Além do financeiro, tem o desconforto de não conseguir entregar nada. A falta de retorno da Enel é lamentável”, afirma.

DE QUEM É CULPA?

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que a responsabilidade pela distribuição de energia é federal, sob competência da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e do Ministério de Minas e Energia, e disse que o Estado fez o que estava ao seu alcance durante o vendaval.

Segundo a Enel, há locais onde a recomposição é mais demorada porque exige reconstrução completa da rede, substituição de postes e transformadores e recondução de cabos.  

A Aneel deu cinco dias para a Enel apresentar explicações sobre a recomposição de energia no Estado.

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