Autismo Equipamento público inédito no Grande ABC é resultado do impacto da campanha do ‘Diário’
FOTO: Denis Maciel/DGABC

A confeiteira Fernanda da Silva Fialho, 35 anos, mãe de Kauã da Silva Maehara, 6, diagnosticado com autismo nível 2 de suporte, está ansiosa pelo desenvolvimento do Centro TEA em Diadema, que teve a pedra fundamental lançada na segunda-feira (8). “É um projeto muito aguardado por nós, mães atípicas. A expectativa é que se torne referência.”
O equipamento público, que será pioneiro na região e o segundo do País, é o primeiro resultado do impacto da campanha Nossa Saúde Mental do Diário, iniciada em 13 de abril deste ano, que trouxe visibilidade à pauta da população autista e a diversos temas voltados ao bem-estar emocional, estimulando políticas públicas no Grande ABC.
O centro, com entrega prevista para 2028, traz o diferencial de concentrar atividades de educação e saúde que auxiliam no desenvolvimento de crianças e adolescentes com TEA (Transtorno do Espectro Autista) em um só lugar, além de ser um espaço de acolhimento para as famílias.
“Os desafios tornam a rotina desgastante, é difícil conciliar tudo. O Kauã tem muita seletividade alimentar e fora de casa não come nada. Vai ser incrível ter um local como esse, um espaço inclusivo para acolher os familiares”, ressalta Fernanda, que também atua no projeto Mães Protetoras – uma iniciativa da Prefeitura para gerar renda a mães atípicas.
A diademense é uma das centenas de mães de autistas do município. Diadema tem ao menos 1.000 crianças e adolescentes com TEA, considerando apenas dados da rede municipal de ensino, onde está a maior concentração desses alunos que precisam de um suporte maior e interdisciplinar.
O secretário municipal de Educação, Felipe Sartori Sigollo, explica que o Centro TEA é uma resposta ao aumento do número de autistas na cidade. O equipamento vai atuar em complemento ao que o município oferece de apoio nas escolas e estender as atividades aos familiares.
“O objetivo é ser um espaço de inclusão e acolhimento para as famílias, com cursos de formação e educação inclusiva, grupos de reflexão e apoio à comunidade. Um dos diferenciais é a piscina adaptada, que não tem em nenhuma escola”, afirma Sigollo.
O espaço, que terá 650 metros quadrados de área construída em um terreno próximo ao Shopping Praça da Moça, no Centro, contará também com quadra, auditório, biblioteca, sala multiuso, sala sensorial, sala de cursos, sala de atendimento médico, psicopedagógico e clínico.
A dona de casa, Silmara Aparecida Antunes Rocha, 43, mãe de Theo Antunes Rocha da Cruz, 7, afirma que ter um espaço como esse será extremamente importante para o desenvolvimento das crianças. “Será um sonho realizado. É um projeto maravilhoso para todas as famílias que, assim como eu, lutam tanto por um tratamento digno para nossos pequenos guerreiros”, enfatiza Silmara.
PROJETO
A ideia do projeto surgiu, de acordo com o secretário de Educação, quando o prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), participou da construção do primeiro Centro TEA, inaugurado na Capital em abril deste ano. O investimento estimado para a construção da unidade em Diadema é de R$ 10 milhões. A construção foi viabilizada por emenda parlamentar do deputado federal Alex Manente (Cidadania).
“Destinei R$ 5 milhões por meio do meu mandato, em uma parceria sólida com o prefeito Taka, que também tem compromisso com a inclusão e a saúde das famílias. Além disso, estamos trabalhando para garantir novos recursos complementares não apenas para a estrutura física, mas também para um programa permanente de saúde mental, com foco especial no atendimento às mães atípicas, que muitas vezes carregam sozinhas uma sobrecarga emocional enorme”, destaca Manente.
Segundo o deputado, a campanha Nossa Saúde Mental do Diário tem um papel fundamental nesse processo. “A série ajudou a tirar o tema da invisibilidade, trouxe informação qualificada e, principalmente, sensibilizou a sociedade sobre a importância do cuidado com a saúde mental.”
“Quando um veículo de grande repercussão assume essa responsabilidade, ele não apenas informa, mas contribui diretamente para criar um ambiente mais consciente, empático e favorável a políticas públicas que façam diferença na vida das pessoas”, completa Alex Manente.
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