Política Titulo Crise entre os Poderes

Moraes determina perda imediata do mandato de Carla Zambelli

Com ausência de dois dos três deputados da região, Câmara arquiva cassação, mas STF anula decisão

Bruno Coelho
11/12/2025 | 20:20
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Antônio Augusto/Secom/TSE
Antônio Augusto/Secom/TSE Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Depois da Câmara Federal arquivar, no início da madrugada desta quinta-feira (11), o processo contra a deputada federal Carla Zambelli (PL), presa na Itália à espera de extradição ao Brasil, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal de Justiça), decretou à noite a perda imediata do mandato da parlamentar. Durante a votação em plenário, dos três deputados com redutos no Grande ABC, Alex Manente (Cidadania) e Fernando Marangoni (União Brasil) se ausentaram, enquanto Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), votou a favor da cassação.

Moraes também determinou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), efetive a posse do suplente da parlamentar no prazo máximo de 48 horas a partir do despacho. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Casa chegou a aprovar o parecer que recomendava a cassação de Carla Zambelli, porém, houve 227 votos a favor da perda do mandato, abaixo dos 257 necessários, enquanto 110 foram contrários, com dez abstenções. Por essa razão, a mesa diretora arquivou o processo contra a deputada do PL.

DGABC

Carla Zambelli acumula mais de 15 anos em duas condenações no STF, sendo dez anos por Invasão do sistema eletrônico do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e outros cinco anos e três meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Segundo Moares, ao preservar o mandato da deputada, a Câmara comete uma “clara violação à Constituição”.

O ministro se baseia no artigo 55 da Constituição Federal, que determina a perda do mandato de um deputado ou senador, entre as razões, quando sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado. Dessa forma, Moraes declarou nula a deliberação do Parlamento em plenário.

Presente na votação, Vicentinho classificou o resultado benéfico à Carla Zambelli como uma desobediência e traição à legislação brasileira, visto que ela já tem condenações em trânsito e julgado, e criticou os colegas ausentes, como Marangoni e Alex Manente. “Quem se ausentou foi para derrubar o quórum. Quem se omitiu, praticamente votou a favor dela. Não dá para colocar na mesma mesa alguém (Glauber Braga) que reagiu a uma pessoa após ter sua mãe atacada e a uma outra já condenada”, frisou o petista.


GLAUBER BRAGA

Antes do Parlamento federal deliberar sobre o destino de Carla Zambelli, os deputados decidiram em suspender por seis meses o mandato de Glauber Braga (Psol-RJ), por 318 votos a favor a 141 contrários e três abstenções, ao invés de cassá-lo por quebra de decoro parlamentar, após envolvimento em uma briga com um integrante do MBL (Movimento Brasil Livre) nas dependências do Congresso Nacional. Durante esse período, a cadeira do psolista será ocupada pela ex-senadora Heloísa Helena (Rede-RJ).

Na votação, Vicentinho, Marangoni e Alex Manente estavam presentes no plenário da Câmara e votaram pela suspensão do deputado fluminense.

O Diário procurou Alex Manente e Marangoni para se pronunciarem, mas ambos não retornaram à reportagem.




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