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FOTO: DGABC

A célebre frase de Stefan Zweig, cunhada nos anos 1940, se transformou em um mito nacional no Brasil. O que deveria ser um elogio à potencialidade do país se tornou uma espécie de narcótico cultural. “Estamos aguardando o futuro”, muitos brasileiros acreditam que esse futuro chegará como um destino inevitável – um erro fundamental que ignora o trabalho, o planejamento e a coragem necessários para moldá-lo.
A expressão “Brasil, País do futuro” criou uma ideia de que o Brasil possui um potencial imenso, mas não a consciência de que tal potencial não se realiza sem intencionalidade. O país se habituou a celebrar suas qualidades – diversidade, criatividade, recursos naturais – sem transformá-las em produtividade, inovação e equidade social. “O Brasil admira sua paisagem, mas ainda não construiu sua infraestrutura moral, técnica e institucional”, aponta um estudo sobre a paralisia do desenvolvimento.
Presos a um eterno “quase”, os brasileiros vivem a inércia de promessas não cumpridas. Quase somos uma potência agrícola sustentável. Quase temos um sistema de saúde eficiente. Essa identidade de “quase” revela uma imaturidade institucional. Os pilares necessários – qualidade, governança, ética – permanecem inabalados.
O desejo de inovação está presente, mas as estruturas estão obsoletas. Queremos um sistema de saúde digital confiável, mas ainda dependemos de práticas antiquadas. A saúde deseja segurança, mas a infraestrutura é insuficiente. O otimismo do brasileiro se tornou uma virtude aplaudida, mas quando falta método e rigor, esse otimismo se transforma em improviso.
Com a chegada da ISO 7101 (Gestão da Qualidade em Saúde), o Brasil está entrando em uma nova fase. O país não precisa mais ser “o país da qualidade do futuro”. “É hora de abandonar a narrativa do futuro esperado e começar a construir uma infraestrutura sólida”, afirma um líder do setor de saúde. O avanço depende de governança, ética e estrutura adequada.
É fundamental parar de tratar o futuro como uma profecia e começar a vê-lo como um projeto e responsabilidade coletiva. O Brasil deve refletir sobre seu papel. Enquanto estivermos confortavelmente adiando o futuro, ele permanecerá distante, um sonho inalcançável.
Nesse cenário, fica claro que o Brasil não é apenas um país com potencial não realizado, mas um país que precisa urgentemente deixar para trás a era da promessa e abraçar a era da estrutura e do comprometimento. O futuro do Brasil depende de ação e não de espera.
Mara Machado é CEO do Instituto Qualisa de Gestão.
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