A partir de janeiro Mudança representa alta de 6,79% e ocorre após a divulgação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Ministério do Planejamento e Orçamento confirmou nesta quarta-feira (10) que o salário mínimo será reajustado de R$ 1.518 para R$ 1.621 a partir de janeiro de 2026. A mudança, que representa alta de 6,79%, ocorre após a divulgação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O indicador ficou em 0,03% em outubro, o que aponta alta de 4,18% em 12 meses.
A nova porcentagem será observada pelo trabalhador na folha de pagamento de fevereiro. O valor está abaixo da última projeção do Governo Federal, que estimava R$ 1.627 para o ano que vem.
De acordo com o especialista em finanças para empresas Lucas Nigro, isso ocorre porque a expectativa é baseada em uma inflação estimada, mas o reajuste real ocorre com o número oficial fechado.
”Como a inflação real veio um pouco abaixo do que estava previsto, o reajuste calculado pela fórmula ficou menor. O salário mínimo segue uma política de valorização que combina a inflação medida pelo INPC do ano anterior (2025) mais o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes (2024). Esses fatores de correção têm o objetivo de preservar o poder de compra do brasileiro. A economia cresce e precisa repassar parte disso para o trabalhador”, pontua Nigro.
O crescimento do PIB no ano passado, que foi considerado para o reajuste de 2026, foi de 3,4%.
“A inflação está em uma trajetória de recuo e o INPC capturou essa tendência de retração. Não só os trabalhadores da ativa são impactados, mas também os aposentados e quem recebe o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Embora o governo tenha um trabalho de recuperação do salário mínimo, ele está longe do ideal para dar condições para as pessoas tocarem a vida com mais tranquilidade”, comenta o economista e professor do Núcleo de Negócios do Instituto Mauá de Tecnologia Ricardo Balistiero.
SALÁRIO IDEAL
Segundo pesquisa do Diesee (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) de novembro, o salário mínimo necessário para o brasileiro seria de R$ 7.067,18, o equivalente a 4,66 vezes maior que o em vigor (R$ 1.518). “Em outubro, o valor necessário era de R$ 7.116,83”, comparou a entidade.
O número tem como base o valor mais caro da cesta básica no País, que é a encontrado em São Paulo, por R$ 841,23. No mês passado, o preço do conjunto de alimentos básicos caiu em 24 das 27 capitais pesquisadas, mas a capital paulista seguiu com índices expressivos, que fez com que a projeção do Diesee continuasse alta.
“O reajuste do Governo Federal não resolve o descompasso entre custo de vida e produtividade. Não acompanha o aumento de preços, principalmente em áreas essenciais, como moradia, saúde, educação, que crescem acima da inflação. A mudança atende a regra, mas não elimina o problema do trabalhador”, diz Nigro.
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