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Plenário da Câmara é liberado após tumulto com deputado Glauber Braga

Presidente da Casa tenta retomar votações e declara que "extremismos testam a democracia todos os dias"

Beatriz Mirelle
09/12/2025 | 19:07
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O Plenário da Câmara dos Deputados foi liberado na noite desta terça-feira (9) após tumulto com o parlamentar Glauber Braga (PSOL-RJ), que foi tirado à força da cadeira da Presidência da Casa pela Polícia Legislativa. O ato dele foi em protesto ao processo do qual é alvo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

Com a confusão, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mandou fechar o acesso ao Plenário e barrou a entrada da imprensa. A TV Câmara interrompeu a transmissão durante o conflito. Jornalistas relatam que foram agredidos por agentes de segurança durante a ação. Uma hora depois, Motta voltou ao plenário para tentar retomar as votações.

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O presidente da Casa declarou, pelas redes sociais, que "quando o deputado Glauber Braga ocupa a cadeira da Presidência da Câmara para impedir o andamento dos trabalhos, ele não desrespeita o presidente em exercício". Motta afirmou que o parlamentar faz isso de forma reincidente, porque já havia ocupado uma comissão em greve de fome por mais de uma semana. "O agrupamento que se diz defensor da democracia, mas agride o funcionamento das instituições, vive da mesma lógica dos extremistas que tanto critica."

Segundo ele, serão apurados possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa. "Extremismos testam a democracia todos os dias."

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), comentou que a cena desta terça-feira representou uma violação frontal à liberdade parlamentar e de imprensa. "Um deputado foi retirado à força e jornalistas foram expulsos do Plenário, impedidos de registrar e fiscalizar os atos da Presidência, e o sinal de transmissão da TV Câmara foi desligado. É um gesto autoritário, incompatível com a Constituição e que remete imediatamente aos períodos mais sombrios da ditadura militar, quando o Parlamento expulsava a imprensa para ocultar abusos do poder."

Farias atribuiu a responsabilidade pelo aumento da tensão a Hugo Motta, que, de acordo com ele, tem cedido às pressões da extrema-direita ao impor pautas que não condizem com as necessidades dos brasileiros.

"Foi nesse contexto que o deputado Glauber realizou um ato legítimo de protesto ao se sentar na cadeira da Presidência da Câmara, reagindo à decisão arbitrária de Hugo Motta de pautar sua cassação junto com a de Carla Zambelli, uma parlamentar duas vezes condenada criminalmente com trânsito em julgado", pontuou o líder do PT pelas redes sociais.

IMPRENSA

A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o SJPDF (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal) divulgaram uma nota em repúdio à violência contra profissionais da imprensa na Câmara dos Deputados e o desligamento do sinal da TV Câmara. As entidades afirmam que diversos profissionais relataram que foram agredidos por policiais legislativos após o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, orientar que jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e assessores de imprensa não poderiam realizar a cobertura no Plenário.

“O episódio de censura e agressão à imprensa ocorreu depois de o deputado Glauber Braga ocupar a cadeira da presidência da mesa diretora, após o anúncio pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, de colocar seu processo de cassação em votação no plenário", detalharam.

A Fenaj e o SJPDF consideram extremamente grave o episódio de "cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira. Mais grave ainda são os episódios de agressões físicas a profissionais da imprensa, que levam informação sobre o funcionamento da casa legislativa à sociedade brasileira.”

Em nota, as entidades cobraram explicações do presidente da Câmara e responsabilização do mesmo e de todos que agrediram jornalistas.




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