Campanha Dezembro concentra picos de ocorrências envolvendo pets, seja porque tutores viajam e deixam os animais para trás, seja porque, mesmo quando ficam sob responsabilidade de terceiros, muitos acabam sofrendo negligência
FOTO: Divulgação | Alesp

A Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) passou a ser iluminada de verde, a partir desta terça-feira (9), como parte da campanha Dezembro Verde, criada para chamar atenção para o abandono e os maus-tratos a animais — prática que costuma aumentar justamente no período de festas e férias.
A escolha do mês não é casual. Dezembro concentra picos de ocorrências envolvendo pets, seja porque tutores viajam e deixam os animais para trás, seja porque, mesmo quando ficam sob responsabilidade de terceiros, muitos acabam sofrendo negligência. “O número de abandonos dispara nesse período”, afirma o deputado estadual Maurici, autor da lei que oficializou o Dezembro Verde no calendário paulista em 2021.
Apesar de o abandono e os maus-tratos serem crimes com pena que pode chegar a cinco anos de prisão, estudos mostram que a prática ainda é comum. Um levantamento da Mars Petcare divulgado em 2024 indica que um em cada cinco tutores cogita se desfazer do pet caso precise mudar de residência. Custos elevados, problemas de saúde, dificuldades de manejo e comportamento do animal estão entre os fatores que mais pesam na decisão.
O Brasil, segundo dados de 2024 da Abinpet e do Instituto Pet Brasil, tem cerca de 160 milhões de animais de estimação, número que inclui cães, gatos, aves, peixes, répteis e pequenos mamíferos — um crescimento de 3,33% em relação a 2022. Na contramão dessa expansão, a estimativa é de que 30 milhões de animais vivam nas ruas ou em abrigos.
Para Maurici, a responsabilidade do tutor precisa ser tratada com seriedade. “Cuidar de um animal é assumir obrigações permanentes: alimentação adequada, cuidados veterinários, ambiente seguro e afeto. O abandono causa sofrimento físico e psicológico e priva o pet até de vacinas básicas”, afirma.
O deputado também é autor do PL 389/2021, que pode ser votado ainda este ano. A proposta prevê que agressores de animais arquem com os custos do tratamento veterinário e participem de medidas educativas para evitar reincidência.
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