Setecidades Titulo Alto QI

Região concentra 137 moradores superinteligentes

Levantamento da Mensa Brasil aponta que 7% das pessoas do Estado são do Grande ABC; instituição realiza testes sobre QI

07/12/2025 | 09:30
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André Henriques/DGABC
André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O Grande ABC possui 137 moradores considerados superdotados ou superinteligentes. Os dados são da Mensa Brasil, instituição que une pessoas e faz testes envolvendo o QI (Quociente de Inteligência) e outras habilidades. Um exemplo de indivíduo com essa habilidade é o cineasta norte-americano Quentin Tarantino, que possui o nível 160. 

O número de pessoas nessas condições na região representa 7% de todo o Estado, que possui 2.029 indivíduos com habilidades cognitivas consideradas excepcionais – no Brasil são 5.000. 

A Classificação Terman, que mede o QI, indica que um indivíduo entre 90 e 110 exprime inteligência normal. De acordo com a associação, uma pessoa é considerada superdotada ao ter laudo comprovado com mais de 130 de QI, o que a classifica acima da média intelectualmente.

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O diretor da Mensa Brasil João Hallage diz que as pessoas nessa faixa estão entre as 2% mais inteligentes do mundo. “O grande objetivo da instituição é identificar e promover a inteligência humana em benefício do mundo. Estimulamos pesquisas sobre a natureza e uso da inteligência”, afirma.

Contudo, além do quociente, a instituição também mede outras capacidades, como criatividade e raciocínio. Hallage comenta que, além dos laudos médicos, a Mensa realiza testes formais com registro no Conselho Federal de Psicologia.

Na prática, uma pessoa superdotada tem as características de encontrar resposta a uma questão de forma mais rápida que o comum. “Um sujeito mais inteligente obtém soluções com uma velocidade maior para seus problemas. A autointeligência permite analisar mais aspectos da vida cotidiana, seja profissional ou acadêmica. O diferencial, basicamente, é conseguir olhar os problemas de forma mais abrangente”, disse o diretor.

A analista de marketing Isabella Sgarioni, 28 anos, é membro da Mensa Brasil, com QI 134. Apesar de sempre desconfiar da condição, a moradora de Santo André só descobriu a superdotação ao obter seu laudo em 2021. “Já era adulta, não fui identificada na infância. Mas sempre soube que era inteligente, visto que meu pai também é superdotado. Um exemplo é que comecei a ler aos três anos e, aos oito, já estava com um livro sobre física quântica. Meus pais sempre me incentivaram”, explica a andreense.

A descoberta se deu após Isabella procurar atendimento psicológico devido a problemas profissionais. O diagnóstico comprovou altas habilidades, o que revelou a superdotação. Apesar das características que podem facilitar o dia a dia, a moradora de Santo André enfrentou alguns problemas até de fato conhecer sua aptidão.

“O que sinto é que aprendo as coisas muito rápido. Na hora em que veio o diagnóstico, entendi que a superdotação faz isso. Permite à gente trabalhar mais rápido e gerir melhor várias conexões, com isso chegamos a mais conclusões. Mas há ônus também. O fato de o raciocínio ser muito acelerado e as pessoas não conseguem acompanhar, isso vira uma frustração para todos”, comenta. 

Por ainda não ter muita noção social enquanto criança, Isabella relembra obstáculos na convivência escolar. “Aprendi a falar inglês com certa fluência aos 10 anos. E nas aulas da matéria sempre respondia, mas não tinha noção de que poderia parecer chata ou arrogante. Era apenas uma criança. Depois que a professora me repreendeu, nunca mais levantei a mão”, recorda Isabella.

Esse caso relatado pela andreense é um exemplo da luta da Mensa Brasil. Segundo João Hallage, a instituição trabalha para que o País consiga identificar com mais eficiência os seus superdotados e tenha políticas públicas de socialização e cuidado com os jovens na escola, a fim de garantir que suas habilidades sejam respeitadas, e aplicadas.

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