Metanol É a primeira vez que a bebida aparece em caso de contaminação; paciente está na UTI
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A Secretaria de Saúde de Mauá confirmou o primeiro caso de intoxicação por metanol em bebida destilada no município. O paciente, um homem de 47 anos, relatou ter consumido licor entre os dias 21 e 22 de novembro em dois estabelecimentos distintos, um localizado no Jardim Elizabeth e outro no Jardim Mauá.
Essa é a primeira vez que o licor aparece entre as bebidas contaminadas. Os casos relatados até o momento envolviam apenas gin, vodca e uísque.
A vítima procurou atendimento médico no Hospital Nardini, na Vila Bocaina, no dia 23, após apresentar cefaleia intensa, cansaço, indisposição, visão turva e confusão mental. Rapidamente, o quadro se agravou e o paciente foi intubado. Ele segue internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da unidade. Desde o dia 26, está realizando sessões de hemodiálise.
Nesta terça-feira (2), a Vigilância Epidemiológica recebeu o resultado positivo para dosagem de metanol em exame de urina. A Vigilância Sanitária de Mauá realizou a interdição cautelar do licor mencionado pelo paciente. A medida preventiva consiste em lacrar e proibir temporariamente a venda e o consumo do produto suspeito, mantendo-o separado e indisponível ao público até a conclusão da investigação.
MORTES
No Estado já foram registrados dez óbitos por intoxicação de metanol, de acordo com boletim atualizado no dia 27 de novembro pela Secretaria Estadual da Saúde, um deles no Grande ABC.
Bruna Araújo de Souza, 30, morreu no dia 6 de outubro deste ano no Hospital de Clínicas de São Bernardo, após uma semana de internação. Ela havia ingerido vodca com suco no Villa Jardim Bar, no bairro Taboão, e passou a apresentar dores estomacais, vômitos, visão embaçada e dores de cabeça.
Segundo informações da Polícia Civil de São Paulo, divulgadas em 17 de outubro, todas as bebidas contaminadas com metanol no Estado teriam origem de uma fábrica clandestina localizada na Rua dos Palmitais, no bairro Alvarenga, em São Bernardo.
O metanol é uma substância tóxica de difícil identificação que causa sintomas como náusea, tontura, convulsões, cegueira e pode levar à morte. Os sinais costumam surgir entre 10 e 12 horas após o consumo. Se o atendimento for realizado rapidamente, a taxa de mortalidade pode ficar abaixo de 10%. Sem diagnóstico e tratamento adequados, porém, o índice pode ultrapassar 50%.
De acordo com última atualização do Ministério da Saúde, em 19 de novembro, o Brasil tem 62 casos confirmados de intoxicações por metanol pelo consumo de bebidas alcoólica, e 35 ainda em investigação. Outras 772 notificações foram descartadas. O número de mortes é de 16 pessoas.
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