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Nível de ocupação de idosos atinge maior índice da história

População acima de 60 anos cresceu 53,3% em 12 anos; um a cada quatro deles trabalha

Beatriz Mirelle
04/12/2025 | 09:36
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FOTO: André Henriques | DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A quantidade de idosos ocupados em 2024 é a maior da série histórica medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A população acima dos 60 anos foi de 22 milhões para 34,1 milhões entre 2012 e o ano passado – o que indica aumento de 53,3%. Desse total, 24,4% trabalhavam, o que indica que um a cada quatro pessoas exercia funções remuneradas. Esse número supera o pré-pandemia (em 2019, foi de 23,1%) e assume ponto mais alto dos últimos 12 anos. 

“O aumento da expectativa de vida e as mudanças ocorridas nos arranjos familiares nos últimos anos, somados à alta informalidade no mercado de trabalho brasileiro e à reforma ocorrida em 2019 no sistema de Previdência Social, são fatores que tendem a levar à permanência das pessoas no mercado de trabalho por mais tempo”, detalha a analista do estudo, Denise Freire.

O índice de desemprego nessa faixa etária recuou de 3,5% em 2023 para 2,9% em 2024. Apesar disso, segundo o dado mais recente do IBGE, 55,7% dos idosos trabalhavam na informalidade. Entre idosos pretos e pardos, o número é ainda maior, de 61,2%. 

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A professora adjunta da UFABC (Universidade Federal do ABC) na área de Teoria Econômica Ana Fava explica que o Brasil passou por uma transição demográfica, que fez com que a população idosa se tornasse mais representativa. Segundo ela, a melhora na qualidade de vida e aumento de custos motivam que esse público continue na ativa. 

“Eles têm se reinventado e buscado outras ocupações porque ainda se sentem dispostos. Além disso, os gastos mensais com saúde (remédio e consultas) pesam muito e fazem com que os aposentados tenham que procurar alternativas para completar a renda. Nem todos contam com aposentadoria.” 

O rendimento médio real para idosos foi de R$ 3.108 em 2024 – valor 14,6% maior que o de pessoas mais jovens, de 14 anos ou mais. Enquanto as mulheres com mais de 60 anos recebiam R$ 2.718, os homens ganhavam R$ 4.071 (diferença de 33,2%). As pessoas pretas ou pardas tinham rendimento médio de R$ 2.403. Já os brancos, R$ 4.687 – número 48,7% maior. 

De acordo com o IBGE, isso reflete um histórico social marcado pela desigualdade. As diferentes regras de aposentadoria entre os gêneros e a menor participação feminina no mercado de trabalho em razão das responsabilidades envolvidas no trabalho reprodutivo (tarefas do lar e cuidados de parentes) também são justificativas. 

“Mulheres se aposentam mais cedo. Elas geralmente estão atarefadas com cuidados domésticos, o que não se restringe a atenção com os filhos, mas também a outros idosos. Não temos espaços públicos de cuidado para pessoas com mais de 60 anos. Essa demanda tende a cair sob elas”, pontua a professora Ana Fava. 

Ainda segundo o IBGE, trabalhos ligados aos serviços domésticos têm o menor rendimento, de R$ 1.241. Os destaques positivos são nas áreas de informação e financeira (média de R$ 4.442) e administração pública, educação, saúde e serviços sociais (R$ 4.412).




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