Espetáculos Releitura de clássico grego Antígona, peça com sapateado e montagem de escola teatral são alternativas
FOTO: Divulgação

Os palcos de Santo André oferecem opções teatrais variadas nesta quinta e sexta, com destaque para a estreia da temporada de Antígona – Ainda há quem respire dentro das ruínas, espetáculo que percorrerá espaços culturais da cidade com entrada franca, de hoje ao dia 12.
A montagem é fruto do trabalho do grupo andreense Cia Teatroendoscopia, coletivo que surgiu há duas décadas sob a ELT (Escola Livre de Teatro) de Santo André,
Escrita por Sófocles e considerada uma das mais marcantes obras do teatro clássico grego, Antígona foi encenada pela primeira vez em Atenas, em 441 a.C. Com dramaturgia de Solange Dias e direção de Flávio Marin, a obra ganha uma releitura contemporânea e com cores brasileiras onde a exploração sem limites das nossas riquezas e florestas se apresenta no mesmo nível da tragédia humana.
A partir da figura da mulher que enfrenta o poder em nome da memória e da justiça, a peça propõe uma reflexão sobre o silêncio imposto às vozes dissidentes e o direito de lembrar os que foram apagados da história.
Antígona ousa confrontar o poder dos que insistem em explorar as riquezas em nome de uma falsa percepção de desenvolvimento. Mas não é somente a protagonista que vai pagar por esse enfrentamento. A encenação constrói um diálogo entre o mito e o presente, misturando poesia, política e memória. Em um espaço de ruínas e resistências, Antígona se torna símbolo da luta contra o esquecimento – uma mulher que, mesmo diante da morte, escolhe o gesto da palavra, do cuidado e da desobediência. Destaque para o figurino, trilha sonora e força dramática na construção dos personagens.
Diretor do espetáculo, Marin fala sobre algumas características da versão do clássico trazida para os tempos atuais. “Para realizar uma releitura contemporânea, a encenação retrata os problemas ambientais que vivemos no Brasil, com intuito de provocar reflexões, emoções e sensações por meio do ato cênico teatral”, afirma Marin, que complementa: “O contemporâneo é aquele que mantém fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas o escuro, a obscuridade do presente”.
O elenco conta com Andressa Ferreira (Antígona), Val Mataverni (Creonte), Angela Maria Prestes (Ismênia), Marcos Horta (Corifeu e Tirésias) e Daniel Gregório (Hémon).
A temporada terá quatro apresentações, sempre às 20h, a partir desta quinta-feira (4), no Teatro Carlos Gomes (Rua Senador Fláquer, 110, Centro). No sábado (6), será a vez do Ceu Ana Maria (Praça Ver. Venâncio Neto, s/n°, Jardim Ana Maria); na quarta (10), no Equipamento Cultural A Casa (Avenida Industrial, 1.740, Campestre); e na sexta (12), na Concha Acústica (Praça do Carmo, s/n°, Centro).
Para quem prefere uma comédia em vez de uma tragédia grega clássica, a Cia. Salto Alto apresenta PernalTAP, espetáculo gratuito que marca a estreia do grupo e mistura teatro físico, sapateado norte-americano e acrobacias em pernas de pau em uma experiência divertida e cheia de movimento.
A proposta da companhia é explorar a cena a partir do corpo em movimento e da relação com o espaço e o público presente.
No centro do picadeiro, o viajante Pernalta, guiado por uma bússola pouco convencional, encontra Dorinha, uma andorinha-do-mar curiosa que o observa de longe. A partir daí, ele embarca em uma jornada cheia de descobertas, deixando-se guiar pelo que encontra no caminho e pela participação do público.
A trilha sonora nasce de ritmos percussivos. O som dos passos de Pernalta conduzem o ritmo da história, misturando teatro, sapateado e brincadeira em um convite para todas as idades.
A peça será encenada neste sábado (6), às 15h, no Parque Antônio Fláquer – Ipiranguinha (Rua Sete de Setembro, Vila Alzira).
Nesta sexta-feira (5), às 19h, um grupo de 35 estudantes de escolas públicas de Santo André sobe ao palco do Cine Theatro de Variedades Carlos Gomes (Rua Senador Fláquer, 110, Centro) para apresentar as montagens teatrais criadas ao longo do ano dentro da Escola Itinerante de Teatro.
A iniciativa integra o projeto da Cia Estrela D’Alva de Teatro, que leva aulas de teatro diretamente às escolas públicas da cidade, promovendo formação artística, vivências cênicas e acesso à cultura para adolescentes. A entrada do espetáculo é gratuita e o evento contará com tradução em Libras.
Além da apresentação aberta ao público, os espetáculos também serão exibidos exclusivamente para as comunidades escolares em algumas instituições participantes do projeto.
Segundo os realizadores, nas apresentações, os adolescentes trazem reflexões sobre ser jovem hoje, com personagens que dialogam com suas vivências. Relações familiares, experiências escolares, sexualidade, gênero e conflitos que marcam a travessia para a vida adulta estão entre os temas. Os espetáculos propõem um olhar crítico sobre a forma como adultos escutam – ou deixam de escutar – as demandas da juventude.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.