Dia da Luta PCD Regiane Silva inspira com sua história de vida e em projeto que traz independência a deficientes visuais
FOTO: Divulgação

Nascida em São Caetano, Regiane Silva, 41 anos, perdeu repentinamente a visão em 2013, em decorrência de um glaucoma, 15 dias antes de iniciar o curso de Nutrição. Porém, a cegueira não foi barreira para que a moradora de Ribeirão Pires continuasse os estudos, com a construção de uma nova forma de enxergar o mundo.
Mais desafios vieram com a tentativa de se inserir no mercado de trabalho. Até mesmo as vagas voltadas a pessoas com deficiência reforçavam o capacitismo, uma das formas de preconceito combatidas hoje, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.
“Foi uma frustração procurar emprego porque minha deficiência sempre era incompatível com a função. Existem empresas que só contratam para cumprir a cota e deixam o funcionário em casa, recebendo sem trabalhar”, afirma.
Regiane, que foi atleta de natação, chegou a competir na Paralimpíada de Pequim-2008 e Londres-2012 e nos Jogos Parapan-Americanos de Lima-2019, viu o cenário mudar quando se arriscou em uma vaga que interessou, não direcionada a PcDs. “Me candidatei para ser analista de comunicação na Nestlé e, para minha surpresa, as selecionadoras começaram a se autodescrever, o que me deu conforto. Elas perguntaram como eu fazia para mexer no computador e, geralmente, já julgam que você não faz”, enfatiza.
Já contratada, uma das dificuldades que Regiane apontou foi a de não conseguir acessar informações nutricionais dos produtos. A empresa então passou dois anos desenvolvendo uma solução, lançada recentemente.
“Encontramos um parceiro, a startup Alia Inclui, que conseguiu criar um aplicativo que puxa as informações do rótulo pelo código de barras. E ele ainda guia a pessoa para encontrar o local onde está o código e vibra quando é encontrado”, explica a head de Nutrição, Saúde e Bem-estar da Nestlé, Gisele Pavin.
O projeto, chamado Rótulos que falam, contou com a consultoria da Fundação Dorina Nowill, que testou a tecnologia com um grupo de consumidores cegos. “Identificamos 41 melhorias. Um dos pontos que facilitam a busca é que a pessoa pode perguntar o que precisa saber, se tem ovo ou glúten, sem esperar toda a leitura”, afirma Gisele.
A Nestlé não desenvolveu o app com exclusividade para que todas as empresas possam cadastrar seus produtos e ampliar essa acessibilidade.
A tecnologia aumenta a autonomia de cerca de 17 milhões de pessoas cegas ou não alfabetizadas no Brasil. Somente no Grande ABC são 143.946 pessoas que podem se beneficiar com a tecnologia na hora de escolher os produtos que levam para casa e à sua família – 78.266 deficientes visuais, com perda total ou parcial da visão, além dos 65.680 analfabetos, sendo 17.874 PcDs.
Além de contribuir com a empresa e a sociedade ao trazer ideias de acessibilidade, Regiane inspira com sua história de vida e total independência, inclusive no papel de mãe, rompendo com o capacitismo.
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