Artigo Quando chegamos à Câmara, em 2015, levamos uma convicção que permanece: educação de qualidade é a decisão mais estratégica que um país pode tomar. Não é bandeira de ocasião; é escolher que sociedade queremos construir e quem formaremos para liderar o futuro. Ao longo dos nossos três mandatos, essa visão virou projetos de lei, articulação e defesa permanente de uma educação mais humana, inclusiva e conectada com a vida real.
Agora, quando nos debruçamos no Congresso sobre o novo PNE (Plano Nacional de Educação), que guiará o País pelos próximos dez anos, vemos que essa agenda não está à margem: ela está no centro do debate. O PNE fala de formação integral, aprendizagem, valorização dos profissionais, combate à evasão, inclusão, infraestrutura e redução das desigualdades, pilares que sempre nortearam nosso trabalho.
Mas um plano só se torna transformador quando há execução. A Estônia é o melhor exemplo disso. Em maio, estivemos nesse país para conhecer uma revolução educacional que começou nos anos 1990, quando, mesmo em crise, decidiu colocar a educação como prioridade nacional. Em 1997, todas as escolas já tinham computadores e internet, não como modismo, mas como política estruturante.
Hoje, a Estônia lidera a educação na Europa no Pisa e é referência mundial. Seus alunos têm bom desempenho independentemente da renda porque o sistema é inclusivo e oferece apoio pedagógico, psicológico e social. Professores são valorizados, com formação elevada e autonomia real. As escolas têm liberdade para inovar, sempre alinhadas a diretrizes claras.
Mais que bons índices, a Estônia formou cidadãos preparados para um país digital e para um futuro em constante mudança.
O Brasil precisa dessa mentalidade: determinação e continuidade. Um plano não muda nada sozinho. Falta ao País transformar metas em ação, garantir investimento adequado e tratar a educação como política de Estado, não como promessa que muda a cada governo.
O novo PNE é uma oportunidade histórica de corrigir a rota. Ele só fará diferença se vier acompanhado da coragem de executar e de cobrar resultados. Cada criança que abandona a escola e cada professor desvalorizado representam um País que falha com o próprio futuro.
A Estônia mostrou que sucesso educacional não depende de tamanho ou riqueza, mas de propósito claro e compromisso com a formação humana. O Brasil já tem diagnóstico e propostas. O que precisamos agora é agir.
E essa continuará sendo a nossa luta: defender uma educação pública forte, inclusiva e transformadora, capaz de preparar nossos jovens para a vida, para a cidadania e para o futuro.
Renata Abreu é deputada federal e presidente nacional do Podemos.
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