Segurança viária Foram 254 sinistros fatais e 5.601 sem óbitos em 12 meses; valor médio por ocorrência é de R$ 835 mil e R$ 77,8 mil, respectivamente
FOTO: Denis Maciel/DGABC

As sete cidades registraram 5.855 acidentes de trânsito, entre fatais (254) e não fatais (5.601), que geraram um prejuízo estimado em R$ 620.234.285 aos cofres públicos. Os dados, referentes a novembro de 2024 e outubro deste ano, são do InfoSiga, plataforma de monitoramento do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo).
Os acidentes fatais proporcionalmente têm um custo maior, de R$ 212.106.895, média de R$ 835 mil por ocorrência. O montante restante, ou seja, R$ 436.028.067, é referente aos casos que não resultaram em morte, os quais representam R$ 77,8 mil por sinistro.
De acordo com o Detran-SP, o cálculo estimado considera custos diretos ou indiretos com saúde pública, serviços de emergência, reparação de infraestrutura, prejuízo de veículos privados, perda de produtividade, impacto no mercado de trabalho, seguradoras, entre outros.
Ainda assim, nem todas as dimensões podem ter sido integralmente internalizadas, segundo o departamento de trânsito, especialmente gastos de âmbito privado, como danos morais, impactos familiares, sociais e ambientais.
“Essa é uma parcela dos danos se pensarmos no todo, em Nação, Estado e município, além do lado privado”, ressalta o professor da FECFAU-Unicamp (Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas), Creso de Franco Peixoto.
O especialista destaca que um acidente tem alto impacto nas contas públicas, valores custeados pela população, por meio de impostos e taxas.
Peixoto exemplifica alguns prejuízos indiretos, os quais nem todos podem ser estimados. “Acidentes, especialmente com vítimas fatais, tendem a gerar congestionamento, e com isso perda de combustível e atraso nas horas de trabalho. Além disso, há perda de veículos, e as seguradoras repassam estes custos deste risco para todos os contratos”, afirma.
O especialista aponta ainda o valor inestimável de uma vida. “Em paralelo a isso tudo, tem os impactos que não podemos realmente quantificar, o fator humano e a falta que a pessoa faz à sua família e amigos”, acrescenta o professor da Unicamp.

JOVENS
A maior parte dos acidentes – 88%, ou seja, 5.136 – envolve pessoas de 18 a 44 anos. “Normalmente, os acidentes tendem a estar associados a motoristas mais jovens, que ainda teriam toda uma vida para trabalhar e tiveram seus estudos pagos pelo Estado, que acaba não tendo o retorno”, enfatiza Peixoto.
São 1.722 ocorrências com vítimas de 18 a 24 anos, 2.031 de 25 a 34 e 1.383 de 35 a 44. Aproximadamente um terço envolveu mulheres e 68% homens. Metade dos casos teve a participação de motocicletas.
Em relação ao dia da semana, as sextas-feiras lideram o número de acidentes, com 17,1% (1.005), seguidas pelos sábados, com 15,1% (887) e as segundas-feiras, com 14,3% (842).
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