Sustentabilidade Enquanto líderes têm processos consolidados e grandes volumes de reciclados, Diadema e Rio Grande ainda constroem política para o setor
André Henriques/DGABC

Em meio ao crescente desafio ambiental que mobiliza as cidades do Grande ABC, os números da reciclagem mostram um cenário desigual na região. Enquanto alguns municípios transformam a gestão de resíduos em política pública estruturante, outros ainda estão no básico. O Diário elaborou um ranking regional com base em dados enviados pelas Prefeituras – apenas Ribeirão Pires não respondeu –, o qual traz Santo André e São Bernardo na liderança, enquanto Diadema e Rio Grande ficam aquém do necessário para enfrentar os desafios que o lixo traz às administrações.
Apenas duas cidades declararam os investimentos no setor. A Prefeitura de São Bernardo aporta R$ 2.186.874 e a Diadema, R$ 150.000, totalizando R$ 2.336.874 por mês. O governo de Santo André não divulgou orçamento exclusivo para reciclagem, mas investe R$ 13 milhões por mês na coleta de lixo.
O ranking foi elaborado com base na taxa de reciclagem, volume de recicláveis coletados, abrangência da coleta seletiva, operação e infraestrutura, além de educação ambiental e programas de conscientização.
No topo da lista, Santo André consolida sua posição como referência regional e se apresenta como vitrine de políticas ambientais. Só em 2024, a cidade recolheu 13.329,36 toneladas de recicláveis, somadas a 9.850,75 toneladas até setembro deste ano. A coleta seletiva porta a porta ocorre em Santo André há quase 30 anos, em todos os bairros.
A média diária de 35 toneladas coloca a cidade entre as mais produtivas da região, sustentada por uma estrutura ampla: são 30 Estações de Coleta, 112 PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) e uma rede de programas que vai de ações em condomínios a iniciativas como Moeda Verde, Moeda PET, A3P (Agenda Ambiental na Administração Pública) e compostagem municipal. <EM>Com atuação muito próxima de Santo André, São Bernardo, tem grande volume de recicláveis e investimento robusto. Em 2024, foram 14.578,41 toneladas de materiais reaproveitáveis, com 10.978,99 toneladas efetivamente recicladas. Em 2025, até setembro, o volume chegou a 11.773,73 toneladas, das quais 7.939,41 toneladas voltaram à cadeia produtiva. Com média diária de 41,91 toneladas coletadas, a taxa de aproveitamento do material chega a 74,35%.
A Prefeitura são-bernardense investe R$ 1,18 milhão por mês apenas na coleta seletiva, além de R$ 751 mil para operação de centrais de triagem e R$ 247 mil na educação ambiental. O município ainda mantém um programa de Pagamento por Serviços Ambientais que remunera cooperativas com R$ 185,96 por tonelada, política pública de grande relevância na região.
A terceira posição do ranking é de São Caetano, que recicla apenas 3% de todos os resíduos que produz, mas com potencial de crescimento. A cidade coleta 150 toneladas por mês, o serviço abrange todo o município e a Prefeitura acaba de inaugurar uma central capaz de processar 500 toneladas mensais. O governo aposta na conscientização e distribuição de sacos amarelos e big bags para ampliar a adesão.
Em quarto lugar, Mauá avança com iniciativas de engajamento, como o programa Troca Verde, que transforma recicláveis em alimentos, mas ainda coleta pouco, cerca de 211 toneladas em 2024 e 224 toneladas até outubro de 2025, operando com 50 PEVs e cobertura restrita a seis bairros.
Diadema surge em quinto, apesar da coleta seletiva porta a porta em toda a cidade. Com apenas 35 toneladas por mês e taxa de reciclagem de 0,45%, o município enfrenta dificuldades de adesão e contaminação dos resíduos. A cidade investe R$ 60 mil por mês nas cooperativas e R$ 90 mil na operação do caminhão de coleta.
Na última posição, Rio Grande, representa o desafio das cidades que ainda estão começando a construir sua política pública de reciclagem. Com coleta de cerca de 1 tonelada por mês, dependência de sucateiros locais e coleta porta a porta prevista apenas para 2026, a cidade vive uma fase inicial, marcada por ações educativas e de conscientização.
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