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FOTO: DGABC

Você já sentiu que sua mente anda cansada, dispersa e sobrecarregada de informações? Esse estado mental tem nome – e vem preocupando especialistas. O termo brain rot, ou ‘podridão cerebral’, descreve o desgaste cognitivo e emocional causado pelo consumo contínuo de conteúdos superficiais e estímulos digitais rápidos, algo especialmente comum quando falamos das redes sociais.
Eleito termo do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford, o brain rot reflete uma tendência global: o consumo de vídeos curtos, memes e notificações constantes estão remodelando a forma como pensamos, sentimos e nos relacionamos com o mundo.
Não se trata apenas de uma expressão popular da internet, é um fenômeno real, com efeitos perceptíveis em diferentes idades.
Segundo especialistas no assunto, nas crianças, cujo cérebro em formação fica sob ataque, algumas das principais consequências diretas do brain rot são:
– Concentração em queda: o excesso de estímulos rápidos acaba reduzindo a capacidade de foco em tarefas mais longas.
– Sono prejudicado: a exposição prolongada às telas compromete o descanso e o desenvolvimento.
– Aprendizado superficial: conteúdos fáceis e repetitivos limitam o pensamento crítico e a resolução de problemas.
Já nos adolescentes, que têm vulnerabilidade emocional em alta, os principais efeitos são:
– Ansiedade e depressão: a busca por curtidas e aprovação online eleva os níveis de estresse e insegurança.
– Isolamento social: conexões virtuais substituem interações presenciais essenciais.
- Autoestima abalada: comparações constantes corroem a autoconfiança e a imagem pessoal.
Por fim, nos adultos, que sofrem o peso invisível da exaustão mental, as consequências são:
– Sobrecarga emocional: o cérebro, bombardeado por informações, perde energia e clareza.
– Produtividade em queda: a atenção fragmentada compromete o desempenho no trabalho.
– Relações fragilizadas: a presença digital constante distancia familiares, amigos e parceiros.
Diante disso, um convite à reflexão É hora de repensar o uso das telas e reconhecer que o equilíbrio entre o digital e o real é essencial para preservar nossa saúde mental.
Reconhecer seus efeitos e adotar limites conscientes no consumo digital pode ser o primeiro passo para reconectar-se com o essencial: o tempo, a atenção e a vida real.
Gesika Amorim é médica e especialista em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental.
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