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‘Podridão cerebral’: como se defender?

Gesika Amorim
28/11/2025 | 09:22
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Você já sentiu que sua mente anda cansada, dispersa e sobrecarregada de informações? Esse estado mental tem nome – e vem preocupando especialistas. O termo brain rot, ou ‘podridão cerebral’, descreve o desgaste cognitivo e emocional causado pelo consumo contínuo de conteúdos superficiais e estímulos digitais rápidos, algo especialmente comum quando falamos das redes sociais.

Eleito termo do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford, o brain rot reflete uma tendência global: o consumo de vídeos curtos, memes e notificações constantes estão remodelando a forma como pensamos, sentimos e nos relacionamos com o mundo.

Não se trata apenas de uma expressão popular da internet, é um fenômeno real, com efeitos perceptíveis em diferentes idades.

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Segundo especialistas no assunto, nas crianças, cujo cérebro em formação fica sob ataque, algumas das principais consequências diretas do brain rot são:

– Concentração em queda: o excesso de estímulos rápidos acaba reduzindo a capacidade de foco em tarefas mais longas.

– Sono prejudicado: a exposição prolongada às telas compromete o descanso e o desenvolvimento.

– Aprendizado superficial: conteúdos fáceis e repetitivos limitam o pensamento crítico e a resolução de problemas.

Já nos adolescentes, que têm vulnerabilidade emocional em alta, os principais efeitos são:

– Ansiedade e depressão: a busca por curtidas e aprovação online eleva os níveis de estresse e insegurança.

– Isolamento social: conexões virtuais substituem interações presenciais essenciais.

- Autoestima abalada: comparações constantes corroem a autoconfiança e a imagem pessoal.

Por fim, nos adultos, que sofrem o peso invisível da exaustão mental, as consequências são:

– Sobrecarga emocional: o cérebro, bombardeado por informações, perde energia e clareza.

– Produtividade em queda: a atenção fragmentada compromete o desempenho no trabalho.

– Relações fragilizadas: a presença digital constante distancia familiares, amigos e parceiros.

Diante disso, um convite à reflexão É hora de repensar o uso das telas e reconhecer que o equilíbrio entre o digital e o real é essencial para preservar nossa saúde mental. 

Reconhecer seus efeitos e adotar limites conscientes no consumo digital pode ser o primeiro passo para reconectar-se com o essencial: o tempo, a atenção e a vida real.

Gesika Amorim é médica e especialista em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental.




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