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Uso de telas e desenvolvimento infantil

Luciana Brites
25/11/2025 | 09:09
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


É cada vez mais comum vermos crianças, cada vez mais novas, expostas ao uso de telas. Além disso, o tempo de uso está maior. Estudos mostram associação entre excesso de telas e dificuldades de atenção, sono e desempenho escolar.

É fundamental ter atenção não somente a esses riscos como também a redução da criatividade, das habilidades sociais e dependência em crianças que passam muito tempo consumindo conteúdo digital.

O cérebro infantil tem 95% da estrutura formada entre 0 e 6 anos, estando em pleno desenvolvimento. O uso constante pode afetar o sono, já que a luz azul emitida pelo dispositivo interfere na produção de melatonina, hormônio do sono, impactando memória, aprendizagem e desenvolvimento emocional.

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O excesso também pode gerar sobrecarga de dopamina, neurotransmissor relacionado ao prazer. Ao usar o celular por muito tempo, a criança é recompensada com estímulos rápidos, como likes ou vídeos curtos, o que cria um ciclo de dependência. Isso reduz a tolerância ao tédio e dificulta o envolvimento em tarefas que exigem esforço cognitivo, como leitura e resolução de problemas.

Outros efeitos colaterais do uso: dificuldade de atenção e concentração; redução da motivação para atividades off-line, como brincar, conversar ou ler e déficits em habilidades sociais e emocionais.

Indícios de prejuízo são: irritabilidade ou agitação ao ser afastada delas; desinteresse por brincadeiras ou leitura; dificuldade de concentração e redução da linguagem espontânea e das interações sociais. Se os sinais forem persistentes, é recomendável avaliar a rotina digital e buscar orientação de um profissional.

Para a Academia Americana de Pediatria, o tempo de tela adequado varia conforme a idade: de 0 a 2 anos, deve-se evitar o uso, exceto em chamadas de vídeo; de 2 a 5 anos, o limite é 1 hora diária, com conteúdo educativos e supervisão. As maiores devem equilibrar com um padrão de sono, atividade física, brincadeiras e momentos em família.

Além da mediação é importante oferecer estímulos que favoreçam o neurodesenvolvimento infantil. Atividades como desenhar, escrever e explorar o ambiente contribuem para o aprimoramento da coordenação motora e da cognição.

Pais, educadores e profissionais da saúde estejam atentos aos efeitos e adotem estratégias para garantir um uso equilibrado e saudável das tecnologias. As telas não são inimigas, mas devem ser usadas com moderação respeitando a idade das crianças.

Luciana Brites é psicopedagoga e CEO do Instituto NeuroSaber.




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