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Manancial Alto Tietê, que abastece Mauá e Santo André, atinge nível de escassez

Reservatório opera com 19,8% da capacidade; volume de água retirado deve diminuir para 15,5 metros cúbicos por segundo

24/11/2025 | 23:33
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Agostinho Fratini
Agostinho Fratini Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O manancial Alto Tietê, que abastece parte das cidades de Mauá e Santo André, chegou ao pior nível estabelecido pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico). Com 19,8% do volume total, o reservatório se encontra na faixa cinco (especial), de acordo com dados do Portal dos Mananciais da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), atualizados ontem.

A faixa especial e última etapa é alcançada quando o manancial chega a uma marca inferior a 20% de abastecimento hídrico. Nesse caso, o limite de retirada é de 15,5 metros cúbicos por segundo. 

Além do Alto Tietê, outros três reservatórios abastecem as sete cidades. O Sistema Cantareira também enfrenta uma escassez de recursos, com 21,7% de volume. O cenário só não é pior se comparado aos anos de 2014 e 2015. Os outros dois mananciais são Rio Claro e Rio Grande, que operam com 23,6% e 56,2%, respectivamente. 

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Com exceção do Rio Grande, que está na faixa dois (atenção), os outros se encontram na classificação quatro (restrição), na qual o limite de retirada é de 23 metros cúbicos por segundo. O Sim (Sistema Integrado Metropolitano), composto por sete reservatórios que abastece a Grande São Paulo, registrou 26,6% de capacidade até ontem. No mesmo período do ano passado, o sistema estava em 45,1% da capacidade. 

Desde o dia 27 de agosto, a Sabesp estipulou a redução de pressão de água na Região Metropolitana de São Paulo. Inicialmente, o período era de oito horas, das 21h às 5h. Com a queda dos níveis, a empresa aumentou para dez horas, sendo a redução das 19h às 5h.

De acordo com a companhia, a ação é preventiva e temporária. Contudo, a Sabesp não indicou se há previsão de aumento do período. “Diante do cenário de estiagem e do baixo nível dos mananciais, a Sabesp está adotando desde 27 de agosto a redução da pressão da água no período noturno, quando há menor consumo pela população. A ação atende a uma deliberação da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), com o objetivo de preservar os reservatórios que abastecem a região”, comunicou a Sabesp.

Mesmo assim, os níveis continuam caindo. Para o advogado ambientalista e assessor jurídico do MDV (Movimento em Defesa da Vida do Grande ABC), Virgílio de Farias, o volume permanece em estado de atenção e abaixando cada vez mais devido à falta de preservação. “Os mananciais continuam sendo destruídos. A melhor forma de racionar a água é não poluir e respeitar a lei, não mudá-la para atender interesses políticos e imobiliários. Agora, a Sabesp pode propor fazer uma transposição de 4.000 litros por segundo de água bruta da Billings para reforçar o Sistema Alto Tietê, assim como fez em 2014 e 2015”, afirmou o advogado. 

Ainda de acordo com ele, ao chegar na faixa cinco, o manancial chega a um nível de escassez, o que pode inviabilizar as atividades sociais e econômicas do Grande ABC e da Capital. 

A Arsesp comunicou que acompanha de forma contínua a situação dos reservatórios e dos recursos hídricos no Estado de São Paulo. “O atual cenário exige atenção e está sendo conduzido com base em protocolos técnicos e preventivos estabelecidos no Plano Estadual de Segurança Hídrica”, disse em nota.

“Em 24 de outubro, o Governo de São Paulo anunciou um novo modelo de gestão integrada dos recursos hídricos, com o objetivo de proteger os reservatórios do Sim e garantir o abastecimento da Grande São Paulo.”

Segundo Farias, com a chegada da época das chuvas, os níveis podem melhorar, porém, é necessária uma conservação ambiental. “Como contrapartida de captar água, o MDV propõe que a Sabesp compre as áreas preservadas do Rio Pequeno e Rio Grande que abastecem a Billings, doe aos municípios e sejam transformadas em Unidade de Conservação”, completou.

SÃO CAETANO

A Prefeitura de São Caetano anunciou, no domingo (23), o racionamento da distribuição entre 19h e 5h. Com a inclusão, o município deixou de ser a única cidade da região fora do racionamento, condição que vinha sendo mantida devido ao seu modelo próprio de gestão do sistema de abastecimento. 

Enquanto Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra têm a Sabesp como concessionária desde a privatização da companhia em 2024, São Caetano opera por meio de autarquia municipal responsável por distribuir a água comprada da empresa. 




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