Artigo
FOTO: DGABC

Nos dias de hoje, estamos diante de paradoxos estruturais que fragilizam as estratégias de engajamento dentro das empresas. Um deles é o desequilíbrio entre o investimento em habilidades técnicas e nas chamadas competências relacionais (justamente aquelas que sustentam a qualidade das relações).
Outro paradoxo recorrente é o modelo tradicional de desenvolvimento de líderes: empresas oferecem programas robustos para formar ‘líderes de time’, mas os desenvolvem de uma forma isolada, colocando líderes entre os líderes. No entanto, somente se consolida a liderança de times quando ela é construída junto com o time.
Um relatório da Gallup, divulgado em 2024, mostra que tornou-se imperativo reconhecer a urgência de investir no desenvolvimento de lideranças eficazes e na criação de um ambiente de trabalho que, de fato, priorize o bem-estar dos profissionais. Um caminho para resolver essa questão pode ser com a liderança dando o exemplo com uma dica prática que é criar rituais de conversa intencional que abra espaços de reflexões coletivas e estimulem a corresponsabilização.
Perguntas como: ‘como estamos trabalhando juntos?’, ‘o que está nos aproximando ou nos afastando?’, ‘há algo que está nos impedindo de ser melhores juntos?’ ajudam a ampliar perspectivas, legitimar desconfortos e transformar tensão em aprendizado para ação.
Outro ponto importante é que a segurança psicológica é o alicerce invisível e precisa ser vista como um diferencial competitivo. Diante dos desafios cada vez mais complexos no mundo profissional, dificilmente faremos algo sozinho, precisamos pensar juntos e encontrar, colaborativamente, novos caminhos e soluções para aquilo que nunca vivemos antes e dar um novo significado para o trabalho.
Empresas que colocarem as relações humanas realmente como uma prioridade, revendo suas políticas e processos internos, sairão desta crise mais rápido.
O desengajamento é estrutural, não geracional. O que as novas gerações estão fazendo é dar voz ao que outras já sentiam, mas não ousavam expressar. Por isso acredito que reverter a crise do desengajamento é possível, mas, para isso, precisaremos abandonar velhas lógicas e crenças. Não há engajamento verdadeiro sem uma cultura que apoie o erro como aprendizado, o feedback como prática e o pertencimento como premissa.
Patricia Ansarah é executiva da área de Recursos Humanos e criadora do IISP (Instituto Internacional de Segurança Psicológica).
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.