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Região recebe R$ 1,5 bi em benefícios do governo federal

Grande ABC possui 229 mil beneficiários; economista diz que País gasta mais com juros de dívidas

23/11/2025 | 22:16
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em dez meses, de janeiro a outubro deste ano, o governo federal destinou R$ 1,5 bilhão para pagamento de programas sociais no Grande ABC. No total, 229.850 moradores da região, ou seja, 8,5% do total de 2,7 milhões de habitantes das sete cidades, são beneficiários de quatro iniciativas de transferência de renda e incentivo financeiro.

Os dados foram compilados no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União. No painel, é possível visualizar a quantidade de pessoas beneficiadas nos programas: BPC (Benefício de Prestação Continuada), Novo Bolsa Família, Pé-de-Meia e Seguro-Defeso.

Na região, São Bernardo é a cidade com o maior número de participantes, cerca de 68.567 indivíduos. Na sequência, aparecem Santo André (58.939), Diadema (44.950), Mauá (34.438), Ribeirão Pires (9.558), São Caetano (7.531) e Rio Grande da Serra (5.867). 

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O professor do IMT (Instituto Mauá de Tecnologia) e especialista em economia do Brasil, Ricardo Balistiero, disse que os programas sociais têm ajudado a dar maior dignidade para as pessoas. “O fato é que em 2025, o Brasil saiu do mapa da fome e conseguiu superar aquele cenário de extrema pobreza que tínhamos em 2022. Os programas sociais foram efetivos. O Bolsa Família, por exemplo, talvez seja o melhor programa social do planeta. Muitas pessoas conseguiram sair do benefício, justamente pela ajuda financeira, e consequentemente, arrumaram um emprego”, afirmou o docente.

A história da auxiliar de limpeza e moradora de São Bernardo, Gislaine Elias Silveira, 43 anos, é marcada por idas e vindas há 20 anos com o Bolsa Família. Atualmente, ela é beneficiária do programa, pois não tem renda fixa. Durante o período, a são-bernardense encontrou trabalhos temporários, com contrato em empresas ou órgãos públicos.

Gislaine mora com seu marido e também autônomo, Wesley Gomes, 30, e mais duas filhas e uma neta. Por questões de vulnerabilidade na família, ela precisou adotar três sobrinhos, mais um dos motivos que causou instabilidade financeira na residência.

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“Sou mãe de quatro filhos e hoje moro com todo esse pessoal. O Bolsa Família ajuda em tudo. Principalmente na alimentação e nas roupas para as crianças. Na época em que peguei, estava desempregada e já tinha três filhos. Como eu ia arrumar um emprego sabendo que tinha que cuidar das crianças? Então o programa me ajudou naquela época a pagar alguém para que eu pudesse trabalhar e segue me ajudando até hoje”, comentou Gislaine.

Segundo o docente do IMT, Ricardo Balistiero, os beneficiários do programa ainda sofrem críticas, derivadas de preconceito contra a classe com menor poder financeiro. “Quem reclama dos programas sociais, são pessoas que possuem uma condição estável e nunca precisaram de um impulso externo. O que precisamos é tornar esses benefícios bem auditados e acompanhar essas pessoas para que tenham uma porta de saída”, reforçou o professor.

O QUE É CADA UM?

Criado em 2023, o Pé-de-Meia é um programa de incentivo financeiro-educacional para promover a permanência e a conclusão escolar de estudantes matriculados no ensino médio público. Os alunos recebem mensalmente um valor de R$ 200 e ao concluir um ano recebem mais R$ 1.000.

Já o Seguro-Defeso é um benefício voltado ao pescador artesanal, que fica proibido de exercer a atividade durante o período de defeso de alguma espécie. O beneficiário recebe um valor de um salário-mínimo, também por mês, enquanto durar o período de proibição de pesca.

O BPC também garante um salário-mínimo mensalmente para pessoas com idade igual ou superior a 65 anos. Para ter direito, é necessário que a renda por pessoa do grupo familiar seja igual ou menor que um quarto do salário-mínimo.

Já o Bolsa Família tem como principal regra que o ganho de cada pessoa da família seja de, no máximo, R$ 218 por mês. A média é feita pela renda do grupo dividido pelo número de membros. O valor estipulado por mês é de R$ 683,28 por família.

Para todos os benefícios os participantes devem ser inscritos no CadÚnico (Cadastro Único para Programa Sociais).

“Se olharmos para o orçamento brasileiro, o gasto social é facilmente acomodável dentro do PIB (Produto Interno Bruto). Somando todos os benefícios sociais, não dá o que a gente paga de juros da dívida. Custa pouco aos cofres públicos”, concluiu Balistiero.

Em 2024, o Grande ABC possuía 247 mil beneficiários nos quatro programas. Já em 2023, tinha 210 mil, visto que o Pé-de-Meia foi criado em novembro.




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