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Novembro Azul: diálogo sem tabus

Rodrigo Coutinho
21/11/2025 | 08:44
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O movimento Novembro Azul é um chamado à prevenção e ao diagnóstico precoce das doenças que mais afetam os homens, sobretudo o câncer de próstata. Apesar de ser a segunda principal causa de morte por câncer entre homens, a doença ainda enfrenta barreiras culturais que atrasam a detecção e comprometem o tratamento.

No Brasil, o câncer de próstata é um dos principais desafios da saúde masculina. Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), são registrados cerca de 71 mil novos casos a cada ano, com quase 16 mil mortes. O risco aumenta a partir dos 50 anos, mas certos grupos precisam ficar ainda mais atentos. Homens com ascendência africana, histórico familiar ou mutações genéticas de risco devem começar a conversar com o médico sobre exames preventivos a partir dos 45 anos. Embora casos em homens mais jovens sejam raros, fatores como obesidade, tabagismo e sedentarismo também podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doença. Ainda assim, preconceito e falta de informação levam muitos a adiar consultas e subestimar a importância da detecção precoce.

O diagnóstico prematuro depende de exames simples. O PSA é um exame de sangue que pode indicar alterações na próstata. O toque retal, rápido e indolor, permite avaliar a glândula. A decisão sobre realizar os exames deve ser tomada junto ao médico, considerando os riscos e benefícios.

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No início, o câncer de próstata costuma não apresentar sintomas. Quando aparecem, podem incluir dificuldade para urinar, jato fraco ou necessidade frequente de ir ao banheiro. Em fases avançadas, podem surgir dor óssea, perda de peso ou sangue na urina.

O tratamento varia conforme o estágio. Casos iniciais podem ser acompanhados com vigilância ativa. Quando necessário, podem ser indicados cirurgia, radioterapia ou hormonioterapia. Técnicas menos invasivas, como a robótica, ajudam a reduzir complicações e acelerar a recuperação. Quanto mais cedo o diagnóstico, menores os impactos na qualidade de vida.

A prevenção também envolve hábitos saudáveis: manter o peso adequado, praticar atividade física, ter alimentação equilibrada e não fumar.

Conversar abertamente sobre saúde ajuda a reduzir o medo e o preconceito. Profissionais de saúde estão preparados para orientar e acolher. Procurar ajuda é um gesto de cuidado consigo mesmo e com quem se ama.

O Novembro Azul é, portanto, um convite para que os homens assumam o protagonismo do próprio cuidado. Falar sobre saúde, tirar dúvidas e buscar orientação são passos essenciais para quebrar tabus e preservar a qualidade de vida hoje e no futuro.

Rodrigo Coutinho é médico oncologista da Croma Oncologia.




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