Internacional Seri, colaborador do ‘Diário’, conquistou o primeiro lugar na categoria Cartum
FOTO: Arquivo pessoal

O cartunista Sérgio Ribeiro Lemos, o Seri, que publica seus trabalhos no Diário, conquistou o 1º lugar na categoria Cartum do 5º Salão Internacional de Humor sobre Doação de Órgãos. O evento, realizado pelo Instituto Gabriel, reuniu artistas brasileiros e estrangeiros em uma competição que destaca produções voltadas à conscientização.
Seri afirmou que a premiação tem significado especial, já que o tema dialoga com uma experiência ligada à doação de sangue, que o aproximou das discussões sobre saúde, solidariedade e responsabilidade coletiva. “Quando a arte toca uma causa, ela ganha outro peso. E quando o tema já faz parte da sua vida, o trabalho se torna ainda mais significativo”, disse.
A arte vencedora retrata uma criança que segura um nariz de palhaço em forma de coração, composição que Seri pensou a partir de uma regra pessoal que orienta todo o seu trabalho, que é considerar quem estará do outro lado do desenho. Ele explica que buscou um caminho que equilibrasse vida e memória afetiva, sem pesar o olhar do público. O resultado é uma peça delicada, construída com apenas duas cores, um cinza azulado e o vermelho, usada para simbolizar vitalidade e emoção.
O processo criativo, segundo o artista, foi teoricamente rápido. A ideia surgiu de maneira imediata e a execução levou poucas horas. Para ele, o tempo gasto nunca é o maior desafio, o difícil, diz, é encontrar a ideia certa. A maturidade de quase 50 anos de carreira explica parte dessa fluidez. Hoje, ele afirma, saber reconhecer com mais precisão qual caminho seguir até chegar ao desenho final. “A preocupação é sempre atingir um sentimento, tratar o tema com respeito e afeto.”
A relação entre arte e consciência social é algo que acompanha sua carreira desde o início, ainda durante o período final da ditadura militar. Foi nesse contexto que ele percebeu a arte como ferramenta de questionamento e reflexão.
Para Seri, essa dimensão continua essencial não apenas para ele, mas para qualquer artista. Ele acredita que o cartum deve ajudar o público a olhar para o momento em que vive.
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