Setecidades Titulo Alta em cinco anos

Casos de tuberculose na região chegam a 84 por mês

Ocorrências subiram de 889 em 2020 para 1.118 em 2024; doença ainda preocupa, diz médico

Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
21/11/2025 | 02:01
Compartilhar notícia
FOTO: Freepik (imagem ilustrativa)
FOTO: Freepik (imagem ilustrativa) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os registros de tuberculose cresceram 26% no Grande ABC nos últimos cinco anos. Entre 2020 e 2024, a região somou 5.089 diagnósticos da doença, número que passou de 889 casos em 2020 para 1.118 no ano passado. As setes cidades mantêm uma média de 84 casos por mês. (Veja dados por ano na tabela)

Santo André lidera o total de ocorrências no período, com 1.283 registros. Em seguida aparecem São Bernardo (1.451), Diadema (1.081) e Mauá (933), São Caetano (148), Ribeirão Pires (139) e Rio Grande da Serra (54) completam o levantamento.

A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A doença afeta prioritariamente os pulmões (forma pulmonar), embora possa acometer outros órgãos ou sistemas. 

DGABC

Para o pneumologista Victor Hugo Martins, do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e coordenador da pneumologia do Instituto Dante Pazzanese, o aumento observado não significa, necessariamente, uma explosão inédita da doença, mas uma recomposição do que deixou de ser identificado no auge da pandemia da Covid-19. 

“A comparação com 2020 pega um ano de forte subnotificação por causa do coronavírus, quando houve queda importante na detecção de tuberculose e interrupção de ações como busca ativa, rastreio de contatos e seguimento do tratamento”, explica. “Nos anos seguintes, com a retomada dos serviços e intensificação das campanhas no Grande ABC, parte desse crescimento reflete o retorno à identificação de casos que antes não estavam sendo diagnosticados.”

O especialista reforça que a tuberculose segue como um desafio persistente no País por fatores estruturais e sociais, como ambientes fechados e pouco ventilados, dificuldade de acesso à saúde, atraso no diagnóstico e abandono do tratamento. 

PROCESSO DE CURA

A rotina de quem enfrenta a doença ajuda a dimensionar o impacto desse cenário. Morador de Santo André, o operador de ponte Bruno Velasco Quaglia, 36 anos, descobriu a tuberculose em março de 2024, após meses de tosse, secreção e cansaço intenso. “Achei que era algo simples, mas foi piorando”, lembra. 

O diagnóstico veio após um raio-x mostrar uma mancha no pulmão. Ele iniciou o tratamento imediatamente. “Foi difícil, seis meses tomando remédio todo dia, mas tive muita atenção das profissionais. A equipe cuidou de mim desde o começo”, conta.

Sem poder trabalhar devido ao cansaço, Bruno seguiu todas as orientações médicas e hoje está recuperado. Ele diz não ter enfrentado preconceito, mas preferiu manter o quadro restrito à família. “Hoje estou bem, graças a Deus. Fiz tudo certinho e deu certo”, afirma.

TRANSMISSÃO 

Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão da tuberculose acontece por via respiratória, pela eliminação de aerossóis produzidos pela tosse, fala ou espirro de uma pessoa com tuberculose ativa (pulmonar ou laríngea), sem tratamento. Quando outras pessoas respirarem essas partículas, há a possibilidade de se infectarem. 

“Calcula-se que, durante um ano, em uma comunidade, uma pessoa com tuberculose pulmonar ou laríngea ativa, sem tratamento, e que esteja eliminando aerossóis com bacilos, possa infectar, em média, de 10 a 15 pessoas”, atribui a Pasta. 

O pneumologista Victor Hugo Martins alerta que tosse persistente por mais de três semanas, febre baixa ao fim da tarde, suor noturno, perda de peso e cansaço devem motivar busca imediata por atendimento. “O diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento são as principais ferramentas para interromper a cadeia de transmissão e evitar que os índices sigam em alta nos próximos anos.”

A vacina BCG, ofertada no SUS (Sistema Único de Saúde), protege a criança das formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a tuberculose meníngea. 




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;