Consciência Negra Ato político une organizações e autoridades
André Henriques/DGABC

A 4ª Marcha da Consciência Negra, que aconteceu na manhã desta quinta-feira (20) em São Bernardo, reuniu, aproximadamente, 1.200 participantes. Organizada pelo Fórum Antirracista da cidade, a mobilização contou com a presença de lideranças políticas, mais de 20 coletivos e 12 organizações sociais, que caminharam pelas ruas Jurubatuba, Tenente Salles e Marechal Deodoro até a Praça da Matriz, em um percurso iniciado por volta das 10h.
Marco Antônio da Silva, 53 anos, conhecido como Markinhus e membro da coordenação do Fórum Antirracista, falou sobre os trabalhos realizados pelo grupo. “O Fórum pega a história do Movimento Negro em São Bernardo, que não começa com o Fórum, é a continuação da luta negra na cidade. Atuamos todos os dias, com reuniões mensais, somos formados por coletivos antirracistas e pelo Movimento Negro”, afirmou.
O ativista também destacou o aumento de denúncias relacionadas ao ambiente escolar. Segundo ele, casos de práticas racistas dentro das unidades têm sido frequentes. “Atualmente nós temos recebido muita denúncia dentro da educação. Recebemos denúncias de diretores, de professores, de mães e familiares de crianças que sofrem racismo dentro da escola. Nós tínhamos aqui a implementação da Lei 10.639, que o governo anterior simplesmente tirou. Retirou o estudo, a formação dos trabalhadores da educação e também a prática de capoeira e de percussão nas escolas municipais”, disse ele.
Markinhus explicou que uma das atribuições do Fórum é reunir essas informações e encaminhá-las formalmente aos órgãos judiciais. Ele ressaltou ainda que o grupo mantém diálogo com a atual gestão municipal para retomar as formações e ações pedagógicas previstas na Lei 10.639, que trata do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. “Nosso objetivo é garantir que essa educação seja restaurada e fortalecida em São Bernardo e em todo o Brasil”, concluiu.
A marcha também contou com a participação de lideranças políticas que reforçaram a importância do enfrentamento ao racismo e da ampliação de políticas públicas voltadas à população negra. A deputada estadual Ediane Maria (Psol) ressaltou a força dos movimentos sociais e a necessidade de ampliar a presença negra na política institucional. “Então, viva o povo preto, viva os movimentos sociais, viva os partidos políticos e, de fato, coloquem as cotas para que a gente continue a ocupar esses partidos. Viva Zumbi, viva Dandara!”, declarou.
A vereadora Ana Nice (PT) também acompanhou o ato e destacou projetos de sua autoria voltados à promoção da igualdade racial no município. “Precisamos combater todo tipo de violência e aqui em São Bernardo tem várias leis da minha iniciativa. Tem projetos de lei, como a lei que institui aqui no nosso município cotas raciais em concursos públicos, e outros projetos tramitando na Câmara para que a gente possa avançar na igualdade, na justiça social e no combate ao racismo”, afirmou.
A mobilização reforçou a importância do combate ao racismo e da valorização da cultura negra no município, consolidando a data como um dos principais marcos do calendário de luta e conscientização social da cidade.
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