Editorial Em meio à COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, o Grande ABC surge bem posicionado no ranking nacional de emissores de gases do efeito estufa. São Caetano, São Bernardo, Santo André e Diadema, nessa ordem, figuram entre as 50 cidades com menor liberação de partículas nocivas, resultado associado à presença de áreas verdes que ampliam o sequestro de carbono. Os dados mostram avanço, porém revelam também espaço para ações mais assertivas. O cenário internacional discutido em Belém, no Pará, evidencia que indicadores positivos não bastam sem estratégias de longo prazo que envolvam governos municipais, iniciativa privada e sociedade.
À primeira vista, as sete cidades parecem bem conscientes ambientalmente, mas muito ainda pode – e deve – ser feito. Até porque, como bem lembrou na COP30 o sueco Johan Rockström, uma das maiores autoridades climáticas, limitar a emissão de gases de efeito estufa não basta. É preciso estancar o processo de extinção das espécies; consumir água doce com mais parcimônia; parar com o desmatamento – não só da Amazônia, mas também dos remanescentes da Mata Atlântica que existem no Grande ABC – e deixar de contaminar os oceanos, especialmente com plásticos. Também é possível aos municípios fortalecer reciclagem, gestão de resíduos e fiscalização de áreas sensíveis.
Quando promovem ações estruturadas, as cidades cooperam com o debate planetário contra o aquecimento global. O Grande ABC, composto por municípios próximos e interdependentes, pode adotar metas conjuntas de emissões, incentivar economia de baixo carbono e fortalecer práticas que unam gestão ambiental e desenvolvimento. A região tem condições de contribuir mais para o esforço internacional, transformando indicadores em políticas permanentes que reduzam impactos climáticos e organizem novo padrão de atuação pública. Ao integrar planos, compartilhar dados e ampliar participação social, a região pode assumir papel mais efetivo na resposta às mudanças do clima.
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