COP30 Ranking avalia a liberação de gases do efeito estufa e o PIB de 418 municípios do País; especialista ressalta áreas verdes no Grande ABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Em tempos de COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), evento que acontece até sexta-feira (21) em Belém do Pará, o Grande ABC conseguiu colocar quatro municípios entre os 50 do Brasil com menos emissão de gases de efeito estufa. Os índices são do Ranking de Competitividade dos Municípios, do CLP (Centro de Liderança Pública).
De acordo com a entidade realizadora do ranking, o indicador utiliza a razão entre a liberação líquida de gases de efeito estufa e o PIB (Produto Interno Bruto) municipal. A emissão de substâncias como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso na atmosfera fazem uma espécie de película que retém o calor do sol, causando um superaquecimento.
Quando sua concentração aumenta devido a atividades humanas (principalmente queima de combustíveis fósseis, desmatamento e agricultura), o calor retido excessivamente causa o aquecimento global e as mudanças climáticas.
São Caetano é a cidade mais bem colocada da região, em 21º. Na sequência, aparecem São Bernardo (30º), Santo André (42º) e Diadema (48º). Além dessas, Mauá está entre as 100 primeiras, ficando na 75ª posição. (Veja os primeiros colocados na tabela)
Para completar, Ribeirão Pires aparece na 102ª colocação no ranking. O levantamento avaliou 418 municípios brasileiros, sendo todos com mais de 80 mil habitantes, deste modo, Rio Grande da Serra não foi contabilizado.
A professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e bióloga, Marta Marcondes, reforçou que em cidades com índices maiores de PIB, as pessoas tendem a utilizar mais carros e gás de cozinha, gerando uma emissão maior de gases. Mesmo assim, a especialista explicou que a região possui fatores ambientais que beneficiam a redução.
“O Grande ABC está desindustrializando-se e buscando fábricas que tenham maior aderência às questões ambientais. A gente vê uma desaceleração do processo industrial, com novas tecnologias. Sabemos também que, em São Bernardo, por exemplo, 50% do município está em área de proteção florestal, que contribui significativamente para o sequestro de carbono e redução de gases. Todas as cidades possuem áreas verdes importantes”, disse Marta.
A bióloga ainda comentou que o incentivo ao uso do transporte coletivo, como a tarifa zero em São Caetano, pode ajudar na sustentabilidade da região.
No Ranking Universitário Mundial: Sustentabilidade 2026, a UFABC (Universidade Federal do ABC) aparece na posição 67 entre as 115 faculdades da América do Sul analisadas. O estudo foi divulgado pela analista britânica de ensino superior Quacquarelli Symonds nesta terça-feira (18). A USP (Universidade de São Paulo) aparece na primeira posição.
O levantamento levou em consideração três eixos: impacto ambiental, impacto social e governança. Nesses indicadores, o ranking avaliou educação ambiental, igualdade, sustentabilidade e pesquisa ambiental.
“Nem todas as instituições de ensino superior são elegíveis ao ranking, e, entre as elegíveis, nem todas conseguem ser classificadas. Isso reforça a relevância do desempenho da UFABC. Um exemplo é a usina fotovoltaica com capacidade de 655 kWp nos seus dois campi, que gera cerca de 66 mil kWh/mês. Essa iniciativa reduziu em cerca de 15% os custos de energia, além de enriquecer a plataforma para pesquisas em energia alternativa”, atribuiu a universidade.
Além disso, a instituição reforçou que continua fortalecendo políticas estruturantes, como gestão ambiental e equidade.
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