Setecidades Titulo Com mortes

Veja a 'rota da contaminação' por metanol, a partir de fábrica em São Bernardo

A proprietária do espaço ilegal está presa desde 10 de outubro, e três postos foram interditados até o momento

17/11/2025 | 15:15
Compartilhar notícia
FOTO: Divulgação
FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Dois meses após a primeira morte por intoxicação por metanol em São Paulo, a Polícia Civil aponta que as bebidas alcoólicas adulteradas podem ter origem em uma mesma fábrica clandestina administrada por uma família em São Bernardo, no Grande ABC. De acordo com a investigação, os suspeitos compravam etanol adulterado com metanol de dois postos de combustíveis da região, usados como fornecedores da matéria-prima tóxica.

A proprietária da fábrica está presa desde 10 de outubro, e três postos foram interditados até o momento. A venda de combustíveis "batizados" - mistura ilegal de etanol com metanol - teria alimentado o esquema de falsificação de bebidas destiladas distribuídas a bares e restaurantes da capital paulista. Foi uma sobreposição de crimes, de acordo com a polícia. O metanol, altamente tóxico e proibido para consumo humano, é letal mesmo em pequenas quantidades.

Até o dia 3 de novembro, foram confirmados 47 casos de intoxicação, com nove mortes, a maioria registrada no Grande ABC. A polícia descarta qualquer envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital) no esquema.

DGABC

Segundo o DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), a primeira fase da investigação foi concluída. Em nota, o órgão informou que "as investigações prosseguem para identificar toda a cadeia de produção e distribuição de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol no Estado".

CAMINHO

Os agentes conseguiram mapear toda a "rota de contaminação": os falsificadores da fábrica clandestina, localizada no bairro Alvarenga, em São Bernardo, adquiriam o etanol adulterado nos dois postos - um em São Bernardo e outro em Santo André. Com essa mistura, adulteravam bebidas destiladas que eram revendidas por um intermediário a bares da Capital.

Em São Paulo, a principal responsável pelo esquema, segundo a polícia, é Vanessa Maria da Silva, presa em flagrante em outubro. A polícia investiga ainda a participação do marido, do pai e do cunhado de Vanessa. O marido dela se apresentou à polícia, prestou depoimento e foi liberado. Ele já havia sido preso antes por falsificar bebidas. A defesa da suspeita não foi localizada.

De acordo com o delegado-geral de São Paulo, Artur Dian, os suspeitos afirmaram que não sabiam que o etanol continha metanol. "A principal hipótese é a de que a fábrica da Vanessa distribuiu para a maioria dos lugares", afirmou Dian, em outubro.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;