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Andam querendo saber o que pensamos

16/11/2025 | 09:26
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Querem saber o que gente pensa, acha, vai votar daqui a um ano, comprou, avaliou. Virou praga. Por todos os cantos, pesquisas, e-mails, mensagens via whatsapp, estrelinhas, de 1 a 5, no telefone pressão para que a gente dê nota para o coitado do atendimento que nos suplica que esperemos o fim da ligação, de 1 a 10. Imagino que o atendente com quem fiquei horas brava tentando resolver alguma pendenga ficará lá de tocaia esperando minha nota.

Outro inferno: se é robô, por escrito, parece que falamos outra língua, por mais claro seja o que queiramos saber, em poucas palavras. “Infelizmente, não captei o que deseja”, “Lamento, mas não compreendi”, insistindo que escolhamos entre as opções, deles, que repetem, repetem, até que desistamos.

Ah, também tem essa: quando pedem que a gente responda a alguma pesquisa como clientes dizem que é rapidinho, “leva menos de dois minutinhos...” Isso acontece comigo em uma loja de produtos para pets, como agora teimam em chamar nossos bichinhos (fora nos chamarem de tutores, horrível). Tenho uma gata enjoada, que tem dia que gosta de um sabor de ração úmida; no outro, despreza, e depois volta a gostar. Frequento o pedaço até mais do que gostaria, uma, duas vezes por semana. Toda vez, logo depois, chega o pedido de avaliação. De vez em quando respondo para ver se me deixam em paz. 

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As perguntas são sempre as mesmas: de 1 a 10 (tudo é de 1 a 10) quanto você recomendaria a empresa a um amigo ou parente. Seguem mãozinhas para cima, verde, e para baixo, vermelha, sobre o preço, do atendimento, disso, daquilo. Perguntam como podem melhorar. Sempre reclamo do preço e ele só sobe, e muito. Imagino inclusive que seja a reclamação mais comum, porque tá osso manter o orçamento.

Claro que é legal sermos consultados em algumas coisas. Mas tem limite. Tenho achado bem esquisita essa inundação de pesquisas eleitorais sendo que nem virou o ano e nem candidatos confirmados. Incluem, inclusive, o inelegível. Uma seguida da outra, sobe e desce, gráficos coloridos, não sei quem está melhor, o outro caiu, aprovação, desaprovação. Alguéns ganhando, fora a competição entre os institutos que já estão disputam os partidos e empresas nesses levantamentos.

Para quem podemos contar que já há algum tempo o país está mesmo completamente dividido? Polarizado? Que não há margem de erro que consiga alguma variável decente? Patinamos com décimos para lá, décimos para cá. Embora na política e na sociedade haja muitas questões sérias a serem pesquisadas, essas respostas não chegam. Digo respostas porque muitas perguntas até são feitas, mas não nos contam o resultado. São para efeito interno.

Resta saber de quem, para quem, para o quê.

Marli Gonçalves é jornalista, cronista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo e autora de Feminismo no Cotidiano, da Editora Contexto.




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