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Jovem de São Bernardo é destaque em exposição sobre desafios ambientais

Em período de COP 30, fotografia de Danilo Silva denuncia descarte irregular de lixo na Vila São Pedro

Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
15/11/2025 | 11:20
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Denis Maciel/DGABC
Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O estudante Danilo Silva, 18 anos, morador da Vila São Pedro, em São Bernardo, ganhou destaque ao ter uma fotografia exibida em uma mostra virtual organizada durante a COP30 (30ª reunião anual da ONU sobre Mudanças Climáticas) que é realizada em Belém, no Pará, e vai até o dia 21.

A iniciativa é promovida pelo programa Formare, da Fundação Iochpe, que incentiva jovens de diferentes regiões do País a registrarem situações ambientais presentes no dia a dia das comunidades. A exposição reúne fotografias de participantes de diversas cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo. No total, a mostra aborda seis temáticas: lixo e poluição, água, paisagem, fogo, desmatamento e abandono. 

“Quis retratar a falta de respeito das pessoas com o meio ambiente, principalmente o acúmulo de lixo. Mesmo com avisos dizendo para não jogar entulho, muita gente ainda faz isso”, revela o jovem, que teve a fotografia selecionada na categoria lixo e poluição, que contém outras 18 imagens. 

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Silva conta que sempre gostou de fotografar, hábito que começou em 2020, quando gravava vídeos de skate com os amigos. Mas transformar isso em ferramenta para discutir um problema social foi novidade. A imagem que enviou para a exposição foi feita quase por acaso, durante um passeio. 

“Não seja uma alma sebosa. Não jogue lixo nas ruas”, dizia a faixa avistada pelo estudante, que mesmo com uma mensagem clara e direta, não impedia que o cenário ao redor fosse coberto por resíduos.

Para além do descarte irregular, a cena fotografada reunia dois homens e um cachorrinho caminhando em meio ao acúmulo deixado pela própria população. 

Silva relata que refletiu sobre a rotina dura de quem depende da coleta de resíduos para sobreviver. “Queria que quem visse a foto sentisse empatia e tentasse entender o que aquelas pessoas passam no dia a dia.”

Ele reforçou a importância de observar com mais cuidado o território onde vive e valorizar cada detalhe, um aprendizado que, segundo afirma, a fotografia trouxe para o seu cotidiano.

EXPOSIÇÃO E COP30

A mostra virtual integra a campanha Nosso Futuro é Agora: Formare na Rota da COP 30, criada para aproximar jovens periféricos da agenda climática global.

Segundo Claudio Anjos, presidente da Fundação Iochpe, a iniciativa surgiu após estudos mostrarem que apenas 3% dos jovens brasileiros se sentem representados em fóruns internacionais sobre meio ambiente. 

“A fotografia foi escolhida por ser uma linguagem acessível, potente e sensível, capaz de transformar vivências cotidianas em narrativas visuais impactantes”, explicou Anjos. Os estudantes receberam orientação técnica do fotógrafo Érico Hiller.

Para o presidente, incluir esses jovens no debate é simbólico e necessário. “Eles vivem nas regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas, mas raramente têm espaço nas decisões”, explica. 

Com a exposição, a Fundação espera ampliar o debate e provocar quem acompanha a COP30. “A juventude periférica brasileira tem muito a dizer sobre o futuro do planeta. Que suas vivências, dores e esperanças precisam ser consideradas nas políticas públicas e nas estratégias empresariais”, conclui Anjos.

A exposição pode ser acessada no site da Fundação Iochpe (https://fiochpe.org.br/). 




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