Tratativas Tarcísio de Freitas contesta argumento da Prologis de que pátio de manobras inviabilizaria seu projeto na ex-área da Ford
João Valério/Governo do Estado de SP

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta sexta-feira (14), em entrevista exclusiva ao Diário, que existe solução tecnológica para que a área de 1 milhão de m² onde funcionou a fábrica da Ford, em São Bernardo, acomode tanto o pátio de manobras da futura Linha 20-Rosa do Metrô quanto o condomínio logístico projetado pela Prologis.
“Tem muita solução técnica para harmonizar a necessidade do pátio de manobras com o investimento da Prologis”, assegurou Tarcísio. “Estou bem tranquilo com relação a isso, bem tranquilo mesmo, porque o nosso time já está olhando. Pode ter certeza de que vai dar tudo certo”, complementou o governador.
Tarcísio de Freitas voltou a garantir que a implementação dos trilhos do modal, que vai ligar Santo André à Lapa, bairro de São Paulo, terá início pela região. “Quero começar pelo (Grande) ABC, porque não faz sentido começar uma obra dessas por uma região já irrigada de linhas, caso da Capital. Tenho de começar pelo (Grande) ABC porque preciso justamente ligar o (Grande) ABC à rede do Metrô. Essa é minha prioridade. Esse negócio de começar o Metrô pelo (Grande) ABC e de fazer a Linha 20 é obsessão para mim. Obsessão.”
Segundo o governador, não existe outro local adequado no Grande ABC para a construção do espaço necessário para as manobras das composições. “A única maneira de começar (o Metrô) pelo (Grande) ABC é ter um pátio de manobras no (Grande) ABC. Por isso que tenho de usar essa área da Ford, que é a que tem. Não tem outra”, ilustrou.
Tarcísio lembrou que há espaço para os dois empreendimentos no terreno, no bairro da Paulicéia. A DUP (Declaração de Utilidade Pública) emitida há duas semanas pelo Estado prevê a utilização de 226,7 mil m² da área da antiga Ford para a construção do pátio de manobras.
No início do mês, logo após a publicação da DUP, a Prologis, que é a dona da área, anunciou a suspensão da instalação do condomínio logístico em São Bernardo, alegando que a implementação do pátio de manobra inviabilizaria o projeto, pois barraria a construção de uma das saídas dos galpões para a Rodovia Anchieta – o que prejudicaria o planejamento estratégico.
Tarcísio contestou a argumentação da empresa. “A área é muito grande. Vamos pegar uma partezinha. Vinte por cento. Na engenharia, harmonizamos tudo e vai conciliar com o projeto deles.”
Segundo o governador, existem centros logísticos integrados com linhas de Metrô em vários lugares do mundo e não há por que ser diferente em São Bernardo.
“A engenharia tem solução para tudo. Temos solução para conciliar o pátio de manobras. Quantos centros de negócios existem acopladas em estações de Metrô? Você faz o aproveitamento das lajes. Pode-se trabalhar em desnível. Não tem essa dificuldade técnica que, às vezes, querem impor. A engenharia resolve. Agora, o que a engenharia não resolve é falta de área.”
Embora tenha dito que existe espaço para ambos os projetos na área da antiga Ford, o governador afirmou que a prioridade do Estado é o transporte público. “(O Metrô) se sobrepõe, não tem dúvida. Mas vamos deixar claro: São Bernardo não vai perder o empreendimento logístico.”
Frase sobre o valor do diploma foi tirada do contexto, alega republicano
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou, ontem à noite, que a sua frase sobre a importância da formação universitária foi tirada do contexto. Em evento sobre a expansão do Ensino Médio Técnico nas escolas paulistas, pela manhã, o republicano disse que “o diploma cada vez tem menos relevância”.
“Se não tivesse preocupado (com diploma), não tinha aberto 15 mil vagas nas universidades públicas”, disse o governador ao Diário. “O que estou querendo dizer – e isso quem fala não sou eu, são os recrutadores de RH – é que o mercado está atento hoje às competências, à capacidade de se comunicar, de se comunicar em outro idioma, de resolver problemas e (de ter) habilidade interpessoal. O diploma não basta”, esclareceu.
Tarcísio argumentou que, sendo formado em engenharia civil pelo IME (Instituto Militar de Engenharia), nunca falaria contra o ensino universitário. “Fiz a melhor escola de engenharia do Brasil, o vestibular mais difícil, fui o primeiro lugar da minha turma. Fiz mestrado, pós-graduação no Reino Unido. Vou dizer que não é (importante)? O que estou querendo dizer é que não é mais suficiente”.
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