Artigo O Brasil instituiu o Dia da Consciência Negra como feriado nacional em 2024, mas desde a década de 1960 o movimento negro já celebra essa data em homenagem a Zumbi dos Palmares, símbolo de resistência e luta pela liberdade. A partir desse marco, organizações públicas e privadas passaram a adotar o “Novembro Negro” como um período de reflexão, orgulho e reconhecimento da contribuição histórica e cultural do povo negro em nosso país. Esta abordagem garante que o tema integre o currículo escolar, conforme prevê a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira em todo o País. No entanto, muitas instituições reduzem a Consciência Negra apenas a novembro, limitando a formação de estudantes críticos e o combate às desigualdades.
Pesquisas do Ipec mostram que 38% das pessoas que sofreram racismo indicam o ambiente escolar como local do ocorrido, evidenciando a responsabilidade da escola. No Colégio Stocco, onde a maioria dos estudantes é branca, a proposta pedagógica valoriza a diversidade, reconhecendo que o enfrentamento ao racismo deve partir, sobretudo, dos grupos historicamente beneficiados.
A abordagem no Colégio Stocco vai além do simbólico, alcançando a formação docente, escolha de recursos e processos de avaliação. Exemplos inspiradores e replicáveis compõem o dia a dia do colégio, como aulas de Artes que exploram elementos da cultura afro-brasileira, oficinas de criação de bonecas Abayomi, leituras de autores negros, que vão de Machado de Assis a Emicida, de Itamar Vieira Júnior a Carolina Maria de Jesus. Autores que não apenas carregam ancestralidade, mas usam de suas obras para valorizar a igualdade.
A integração do tema deve ocorrer de forma transversal, indo além das aulas de Ciências Humanas. Isso significa incluir discussões sobre diversidade e representatividade fora da sala de aula, com ações antibullying e banimento de palavras ofensivas – até mesmo aquelas que muitos não sabiam da origem racista, como o verbo “denegrir”, que deve ser substituído por “difamar” – exemplos apresentados junto das soluções que comunicam de forma clara aos pequenos e aos grandes: não há espaço para o racismo.
Por fim, reforço a importância de educar pelo exemplo. Pessoas negras como referência não estão apenas nos livros: estão em todos os lugares, inclusive, na docência e direção do Colégio Stocco. É assim que combatemos o racismo ao longo dos doze meses do ano – não apenas em novembro.
Jozimeire Stocco é diretora-geral do Colégio Stocco. Graduada em Direito, tem pós-doutorado e doutorado em Educação pela PUC de São Paulo e mestrado pela Metodista de São Paulo na mesma área.
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