Habitação Vereador de São Bernardo protocolou ofício solicitando programa voltado à revisão de parcelas
FOTO: Claudinei Plaza 14/5/25

A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), empresa do governo do Estado, prepara programa voltado à renegociação de contratos de mutuários, o qual deve ser lançado, gradativamente, ainda este ano. No início deste mês, o vereador de São Bernardo. Julinho Fuzari (Cidadania), protocolou ofício junto à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado solicitando a criação de políticas voltadas à renegociação das parcelas.
Segundo parlamentar, o pedido se fundamenta nas reivindicações de mutuários que enfrentam dificuldades financeiras e não têm condições de manter o pagamento regular das prestações em razão do aumento do custo de vida e da defasagem entre os valores das parcelas e a renda familiar.
O assessor executivo da Diretoria Financeira da CDHU, Marquinho Navarro, afirmou que a companhia está resolvendo questões relacionadas ao sistema e aos instrumentos contratuais para a implemen-tação do plano. “Na prática, a prestação continuará no mesmo patamar, de acordo com a renda do mutuário. Hoje, a parcela equivale a até 20% da renda familiar. A grande mudança estará no saldo devedor, que passará a ser compatível com o valor da prestação paga. Por exemplo: se o mutuário tem atualmente saldo devedor de R$ 200 mil e paga, hipoteticamente, R$ 100 por mês, e a multiplicação dessa prestação pelo prazo remanescente resulta em R$ 60 mil, ele continuará pagando os mesmos R$ 100 mensais, mas o saldo passará a ser de R$ 60 mil. Ou seja, esse será o valor efetivo que o mutuário pagará ao longo do contrato de financiamento”, explicou.
Navarro afirmou que, nos casos que o mutuário estiver inadimplente, o cálculo do saldo devedor será o mesmo. A diferença é que o valor das parcelas em atraso serão incorporadas ao saldo devedor, se tornando um financiamento só. “Então, é uma uma grande oportunidade que vai ser ofertada a nossa população mutuária. Só que para isso dependemos agora de ajustes jurídicos nos nossos instrumentos contratuais. Provavelmente no fim do mês, começo de dezembro, teremos uma condição mais refinada em relação ao prazo para que o plano comece. Talvez se arraste um pouquinho para o começo do ano (2026), mas é uma condição já consolidada aqui na companhia e vai acontecer”, afirmou Navarro.
No Grande ABC, a CDHU possui 8.964 mutuários, distribuídos entre Santo André (3.139), São Bernardo (3.246), São Caetano (75), Diadema (1.839) e Mauá (665). Segundo a companhia, a região apresenta índice de adimplência de 89,78% e a prestação média paga pelos mutuários das cinco cidades é de R$ 263,62.
O representante da companhia destacou que os mutuários que estiverem com parcelas em atraso podem pedir negociação de débitos por meio dos mecanismos permanentes que a empresa disponibiliza. “O mutuário que estiver com problemas no pagamento das prestações pode solicitar revisão do valor mediante apresentação de documentos corroboratórios de renda. Aí fazemos a revisão, independentemente da nova política ou não”, pontuou
A CDHU informou que para novembro e dezembro está prevista a emissão de mais de mil propostas de acordo, com boleto de entrada de 10% do valor do débito e parcelamento do saldo devedor até o final do contrato, respeitando a parcela mínima de 5% do salário mínimo vigente (R$ 75,90). Também serão enviados mais de 900 boletos com prestações atrasadas, com desconto sobre os juros de mora. As negociações podem se feitas pelo site www.cdhu.sp.gov.br, pelo Alô CDHU 0800 000 2348, ou presencialmente nos postos de atendimento da companhia.
“Quero manifestar minha alegria na CDHU ter apoiado o nosso ofício. É a possibilidade do mutuário poder fazer sua renegociação e voltar a honrar com o compromisso da tão sonhada casa própria. Ele precisa ter uma mensalidade condizente com os rendimentos dele. Acredito que também é bom para a CDHU, que vai voltar a arrecadar e poder utilizar esses recursos para novas habitações”, disse Fuzari.
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