Setecidades Titulo Memória

Vicente Rodrigues Vieira. Um homem. Sua importância. Seu esquecimento.

A memória oral é forte em relação ao curandeiro famoso de São Caetano mesmo depois de um século da sua morte

Ademir Medici
15/11/2025 | 03:00
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Crédito da foto 1 – Acervo: Valdenízio Petrolli (em memória)
Crédito da foto 1 – Acervo: Valdenízio Petrolli (em memória) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O historiador Renato Dotta descende diretamente de Vicente Rodrigues Vieira e dele se ocupou numa das seções de comunicação do 16º Congresso de História do Grande ABC, realizado em São Bernardo.

Um milagre

Texto: Renato Dotta

DGABC

Ouço histórias sobre Vicente Rodrigues Vieira desde a infância. Meu avô, Paschoal Dotta (1920-2011), era neto de Vicente. 

Ainda criança, já depois do falecimento de Vicente, convalescendo na cama vítima de um prego que atravessou o pé, meu avô teria visto Vicente sentado a seu lado.

- Não se preocupe. Você logo ficará bom.

Meu avô disse ter inclusive sentido o peso do corpo de Vicente junto ao colchão no qual estava deitado. 

Essa história também me foi relatada pelo meu pai. Ou seja: ela teve circularidade.

ORIGENS

Vicente Rodrigues Vieira era chamado de “bugre”, nome que se dava a pessoas de fortes traços indígenas. Acredito que fosse descendente de povos originários trazidos do interior do Brasil pelos bandeirantes para aqui serem escravizados. 

É possível que tivesse também alguma origem africana, pois não era incomum o casamento entre essas duas etnias, tendo também, muito provavelmente, remotas origens europeias, o que era comum entre os paulistas.

BAIRRO SAÚDE

Vicente Rodrigues Vieira chegou em São Caetano entre 1906 e 1909. Aqui começa sua fama como curandeiro. A fama se espalha. Atraí grande quantidade de pessoas em busca de alívio para suas dores e doenças.

A família de Vicente se estabelece no atual bairro Santa Maria, então bairro Saúde.

PERSEGUIÇÃO

A fama de curandeiro provoca críticas negativas. Uma parte da imprensa paulistana o chamou de “charlatão” e “explorador da fé popular”. 

Em São Caetano, há apoios entre as autoridades religiosas, como o padre Luigi Capra, pároco em Santo André cuja paróquia estendia-se ao longo da estrada de ferro.

Havia uma parada de bonde (“Parada Saúde”) nas proximidades de sua residência, onde ele atendia, outro parâmetro que mede sua popularidade.

Vicente Rodrigues Vieira morre em 9 de março de 1925, com pouco mais de 50 anos de idade. O filho Bento tenta continuar a sua jornada. Constrói uma capela para atender os fiéis, mas enfrenta inúmeros problemas. Chegou a ser preso em 1930.

DESPREZO

Apesar de sua importância na história de São Caetano e região, Vicente passou por um processo deliberado de esquecimento. Não existe nenhum logradouro ou qualquer outra homenagem pública que lembre o seu nome ou sua existência, com a exceção de um centro espírita do bairro da Lapa, em São Paulo, que tem o seu nome.

Crédito da foto 1 – Acervo: Valdenízio Petrolli (em memória)

MORRE UM MITO. Da notícia publicada em 21 de março de 1925 pelo jornal Comercio de São Bernardo, 12 dias após a morte do curandeiro Vicente: (...) sua fama de célebre curandeiro espalhou-se de tal modo que de todos os Estados, e mesmo do estrangeiro, vinham doentes consultá-lo...

NAS ONDAS DO RÁDIO

Adelaide Chiozzo.

A cantora e atriz.

No rádio e no cinema.

No circo e na TV.

Texto: Milton Parron

No programa Memória deste final de semana, os ouvintes vão se deliciar com as histórias protagonizadas e contadas por ela própria, Adelaide Chiozzo, uma grande artista do rádio, do disco, do cinema, do teatro, dos circos e da televisão.  

Adelaide sempre brilhou intensamente, desde sua primeira aparição pública, em 1944, quando ainda era adolescente, no programa de calouros da Rádio Bandeirantes “A Hora da Bomba” apresentado por Vicente Leporace.  

Nascida no bairro do Brás, em São Paulo, Adelaide viveu praticamente toda sua vida no Rio de Janeiro onde integrou o elenco milionário da Rádio Nacional durante 27 anos.  

Também foi estrela exclusiva da Atlântida Cinematográfica. Atuou em 23 filmes daquela produtora, entre eles, “Esse Mundo é um Pandeiro” de 1947; “É Com Esse que eu Vou” rodado em 1948, “Carnaval no Fogo”, 1949, “Aviso aos Navegantes”, 1950, “Sai de Baixo”, 1954 e “Assim era a Atlântida”, 1975.  

Além de acordeonista, Adelaide foi uma boa atriz. Participou dos filmes acima enumerados e, também, das novelas da Globo, “Feijão Maravilha”, “Cambalacho” e “Deus nos Acuda”.   

Adelaide Chiozzo faleceu em 2020 e a entrevista que será apresentada foi concedida ao programa Memória em 1998.

Memória - Produção e apresentação: Milton Parron. Rádio Bandeirantes em 86.3 e 90.9. Amanhã, às 7h; sexta-feira, às 23h. Disponível nas principais plataformas digitais, no Spotify e no Apple Podcast.

DIÁRIO HÁ MEIO SÉCULO

Sábado, 15 de novembro de 1975 – Edição 2904

MANCHETE – Decreto de Geisel (presidente da República) visa a estimular produção de álcool.

15 DE NOVEMBRO – Desfile de fanfarras em Ribeirão Pires; concentração cívica em Santo André; show circense em Rio Grande da Serra; hasteamento de bandeiras nas escolas. O Grande ABC festejava o aniversário da Proclamação da República.

SÃO CAETANO – A cidade ensaiava irmanar-se com Thiene, na Itália.

DIADEMA – Inaugurada a nova fábrica de Brasmetal Waelzholz.

EM 15 DE NOVEMBRO DE...

1955 - Fundado o Clube Bochófilo, de São Bernardo.

1970 - Eleições legislativas: 15 candidatos do Grande ABC concorrem à Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa.

MUNICÍPIOS BRASILEIROS

Celebram aniversário em 15 de novembro:

Ceará: Acarape

Paraíba: Bonito de Santa Fé

Goiás: Cabeceiras e Urutaí

Maranhão: Cajari

Alagoas: Coqueiro Seco e Marechal Deodoro

Ceará: General Sampaio

Paraná: Honório Serpa, Inajá, Jaboti, Palmital, Rio Negro e Uniflor

Piauí: Novo Oriente do Piauí

Minas Gerais: Prata

Rio de Janeiro: Tanguá.

HOJE

Dia da Proclamação da República (ano 136)

Dia Nacional da Umbanda

Dia do Esporte Amador

Dia do Joalheiro.

Santo Alberto Magno

15 de novembro

Alemão (1206-1280). Foi bispo de Regensburg. Deixou muitas obras escritas que versam sobre a doutrina cristã e sobre as ciências naturais. É doutor da Igreja.

Ilustração: Diocese de Santo Angelo (Rio Grande do Sul)




Comentários

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