Apoio O prefeito de Sorocaba foi afastado do cargo pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Copia e Cola, que apura supostas fraudes em contratos da área da Saúde
FOTO: Pablo Jacob /Governo do Estado de SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o governo estadual vai adotar em Sorocaba a mesma postura que teve diante do afastamento do prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos). A declaração foi dada em entrevista à Rádio Cruzeiro FM, de Sorocaba, nesta terça-feira (11), após o afastamento do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) por decisão judicial.
“Olha, é uma situação que preocupa, a gente lamenta muito porque estamos falando de um município super importante. É uma situação que a gente precisa acompanhar com muito cuidado. Não podemos nunca esquecer o princípio da presunção da inocência, então acho que ele vai ter a oportunidade de prestar os seus esclarecimentos”, afirmou Tarcísio.
O governador comparou o caso ao de São Bernardo. “Nós tivemos uma situação semelhante recentemente, que foi o afastamento do prefeito de São Bernardo. E a gente vai proceder com Sorocaba da mesma forma que a gente procedeu com São Bernardo.”
Segundo ele, a prioridade do governo é garantir o funcionamento das administrações municipais independentemente de siglas partidárias. “E nessas horas, a gente não olha partido, a gente olha o interesse do cidadão. Então, naquele momento, a gente prestou todo o apoio à vice-prefeita, Jessica Cormick (Avante), é o que nós vamos fazer agora”, disse.
Tarcísio declarou que o vice-prefeito Fernando Neto (PSD), que assumiu a Prefeitura de Sorocaba, terá o apoio do Palácio dos Bandeirantes. “Nós vamos prestar todo apoio. Ele vai contar aqui com as portas do governo do estado abertas. A gente vai continuar trabalhando com Sorocaba, continuar trabalhando com o cidadão, porque, para nós, e tem sido uma máxima no nosso governo. A gente não olha partido.”
Apesar de Manga ser do mesmo partido que o governador, Tarcísio destacou que o apoio do governo é institucional. “O Manga é do meu partido. Ele foi uma pessoa, lá atrás, ainda na campanha, que me acolheu, que me deu todo o apoio. Mas, independente disso, nós vamos apoiar e nós vamos ajudar o prefeito que estiver no mandato.”
Ele lembrou que, em São Bernardo, o governo estadual também manteve o diálogo com a vice-prefeita que assumiu durante o afastamento de Marcelo Lima. “Foi assim que nós fizemos em São Bernardo. Então, a prefeita Jéssica, que assumiu temporariamente, contou com todo o nosso apoio, com todo o nosso suporte”, afirmou.
Tarcísio também comentou a decisão judicial que permitiu o retorno de Marcelo Lima ao cargo. “Agora houve uma decisão da Justiça para que o prefeito de São Bernardo retorne ao mandato. E então, retornando agora o prefeito de volta ao mandato, também vai contar com o nosso integral apoio. E a gente tem agido dessa forma”, concluiu.
A Polícia Federal deflagrou na última quinta-feira (6) a segunda fase da Operação Copia e Cola, que apura supostas fraudes em contratos da área da Saúde de Sorocaba. Por decisão judicial, o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) foi afastado do cargo por 180 dias. Durante o período, o vice-prefeito Fernando Neto (PSD) assumirá a administração municipal.
Segundo a PF, a medida atende a pedido do MPF (Ministério Público Federal) e tem como objetivo evitar interferências nas investigações. Além do afastamento, a operação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes endereços ligados ao esquema.
Enquanto isso, em São Bernardo, o prefeito Marcelo Lima (Podemos) retornou à Prefeitura no dia 10 de outubro, após 56 dias afastado por ordem judicial.
A volta foi determinada pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que acatou pedido de habeas corpus da defesa solicitando o retorno provisório do prefeito até o julgamento definitivo do processo.
Na decisão, Fonseca apontou que o prolongamento injustificado do afastamento transformou a medida “em verdadeira sanção política antecipada”. O ministro destacou que não havia provas de obstrução à Justiça ou de interferência nas investigações, e que a cautelar representava restrição desproporcional ao mandato legitimamente conferido pelo voto popular.
O Ministério Público Federal também defendeu a revogação da medida, classificando o afastamento como “a mais gravosa intervenção judicial na esfera da soberania popular”.
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