Imunização Vacinação atingiu 80,4% das meninas e 68% dos meninos de 9 a 14 anos; imunização protege contra vários cânceres ligados ao vírus
FOTO: Denis Maciel/DGABC

A cobertura vacinal contra o HPV (Papilomavírus Humano) no Grande ABC está abaixo da média estadual e nacional. A vacinação atingiu 80,4% das meninas e 68% dos meninos de 9 a 14 anos. Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, os números são, respectivamente, 81,1% e 69%, e no Estado, 82,7% e 70,2%.
Os menores índices foram registrados em Rio Grande da Serra, com 54,5% de vacinação no público feminino e de 44% na população masculina, e em Santo André, com 69,7% e 58,8%.
Diadema foi o município que fez a média regional subir consideravelmente, pois tem uma cobertura vacinal de 109,7% e 94,9%. Valores acima de 100% podem indicar que a vacina foi administrada em pessoas fora da faixa etária do público-alvo ou que alguns indivíduos receberam mais de uma dose por engano.
Apesar de mais baixa, a cobertura vacinal em jovens do sexo masculino tem crescido nas últimas décadas no Grande ABC. Há 10 anos, em 2015, a vacinação alcançava apenas 0,3% deste público. Em 2017 saltou para 29,6% e seguiu em progressão até o ano passado, que registrou 66,7%.
Já nas meninas, apesar de maior, o movimento é de queda. Em 2015, a cobertura vacinal foi de 112,2%. Em 2018, começou a cair, chegando a 84,9% e, no ano passado, atingiu 82,1%.

De acordo com o infectologista e coordenador da infectologia do Hospital Albert Sabin, Gustavo Dittmar, a vacinação é bastante eficaz e quanto mais cedo for ministrada, melhor, pois dessa forma o pré-adolescente ou adolescente fica imunizado antes de se expor ao vírus, que é transmitido, principalmente, pelo contato sexual.
“A vacina protege contra vários cânceres ligados ao HPV, como o de colo de útero, um dos que mais mata mulheres no Brasil, de garganta, esôfago, pênis, vulva, entre outros. Por isso, é importante ter uma boa proteção e cobertura da população”, informa.
Segundo o especialista, existem mais de 100 tipos de HPV que podem causar verrugas em qualquer parte do corpo, entre elas as genitais, que não necessariamente geram sintomas, mas são tratáveis. A longo prazo, pode haver alterações que se transformam em câncer, mesmo que isso demore muitos anos.
PROTEÇÃO
Em 2024, para ampliar a proteção, o governo federal implementou a estratégia de estender a vacinação nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de 9 a 14 anos para adolescentes de 15 a 19 anos que não se vacinaram anteriormente. A imunização é em dose única e está disponível o ano inteiro.
Pessoas fora da faixa etária, até 45 anos, podem tomar a vacina no SUS (Sistema Único de Saúde) se pertencem ao grupo prioritário, como pacientes oncológicos ou com HIV. Neste caso, a aplicação é feita em três doses.
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