Urgente Doadores pedem que a população se conscientize; uma doação pode salvar até quatro vidas
AÇÃO. O empresário Diego Generoso (dir) realiza sua 1ª doação, ao lado do doador há dez anos Felipe Evangelista (esq) FOTO: Denis Maciel/DGABC

Doar é um ato que pode mudar a história de vida de muitas pessoas. Mesmo sendo um gesto tão solidário, os bancos de sangue do Grande ABC chegaram a uma marca negativa nesta segunda-feira (10). As unidades de coleta de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá registraram nível crítico e possuem estoque para apenas dois dias, de acordo com a Colsan (Associação Beneficente de Coleta de Sangue).
Segundo a supervisora do laboratório de processamento do Hemocentro de São Bernardo, Ingrid de Oliveira, o ideal seria ter estoque para sete dias, a fim de garantir o atendimento das unidades de saúde da região. Ao todo, os postos de coleta do Grande ABC abastecem dez hospitais da região e outros cinco na Baixada Santista.
Em números, a coleta ideal seria de 700 bolsas diárias, sendo que hoje a entidade recebe 350 coletas. Ingrid esclarece que não há um único fator que justifique o nível crítico e apela para a conscientização da população. “É difícil ter essa resposta. Pode estar ligado às mudanças climáticas, como as fortes chuvas, ou que as pessoas estão deixando de se preocupar umas com as outras. Estou há muitos anos na empresa e nunca tive um estoque tão baixo”, disse a supervisora.
“É um ato solidário. Muitas vezes só vão lembrar quando têm um familiar precisando. Mas as cirurgias não param, acontecem a cada minuto. E precisamos que as transfusões e doações andem em conjunto, uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas”, completou.
Os tipos sanguíneos mais afetados são o O+ e todos os negativos. Mas Ingrid reforça que qualquer sangue é necessário para o estoque.
HERÓIS
A fisioterapeuta e moradora de São Bernardo, Renata Fernandes, 37 anos, é doadora frequente e realizou sua primeira doação em 2006, logo após completar 18 anos.
“Comecei para ajudar mesmo. Já estudava na área da saúde e, desde os 18, sempre faço essa ação. Trabalhando no hospital, vi a importância e tive a noção das dificuldades. É uma questão de humanidade”, disse a fisioterapeuta.
O operador de máquina, Felipe Evangelista, 38, também é doador há mais de dez anos. “Amanhã eu ou alguém da minha família pode estar precisando. Você se renova enquanto pessoa e salva vidas”, disse.
Já o empresário e também são-bernardense, Diego Generoso, 41, realizou sua primeira doação nesta segunda-feira (10). Além de fazer uma boa ação, ele comentou que queria superar o medo de agulha. “Sempre tive vontade, mas não fazia por medo da agulha. Hoje, vejo que é bobagem, não vai machucar, além de você estar fazendo o bem. Não dói nada. Ano que vem estou de volta”, completou o morador.
COMO DOAR?
Para realizar a doação de sangue, basta ir a algum posto de coleta com documento original. De acordo com a Colsan, o doador deve ter entre 16 e 69 anos de idade, sendo a primeira ação antes dos 60 anos, e pesar acima de 50 quilos.
Além disso, a pessoa deve estar alimentada, evitando comidas gordurosas. A Colsan reforça que homens podem doar a cada dois meses e mulheres a cada três.
PONTOS
Segunda a sexta das 7h30 às 14h30 e sábado das 7h30 às 13h30
Santo André - Hospital Mário Covas - Rua Dr. Henrique Calderazzo, 321
São Bernardo - Hemocentro Regional Colsan - Rua Pedro Jacobucci, 440
Segunda a sábado das 7h30 às 13h
São Caetano - Posto de Coleta - Av. Vital Brasil Filho, 300
Mauá - Posto de Coleta - Rua Luiz Lacava, 229
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