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Meio ambiente ao nosso redor

Marli Gonçalves
09/11/2025 | 08:20
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Fiquei emocionada em assistir a uma reportagem local sobre a reunião que um grupo de coreanos faz todas as sextas-feiras aqui em São Paulo, no Bairro Bom Retiro, onde vivem, para limpar as ruas. Muitos idosos, coletes amarelos, nas mãos a vara de pegar lixo no chão, recolhem o que encontram. O melhor exemplo em tempos de COP30 e suas discussões que ainda parecem tão longe de nós.

De lá de Belém do Pará autoridades, com direito até a príncipe, sorriem, prometem mundos e fundos, discutem o que há tempos sentimos na nossa pele, saúde, a crise climática, as emergências e destruições cada vez mais frequentes no planeta. Ano que vem tem mais.

Estou segura e convencida de que ações reais como as dos coreanos, as que podemos fazer no nosso dia a dia, nos alertas que podemos emitir, na atenção, é fundamental. Que a educação, o básico, as crianças, trará gerações mais conscientes. O cenário macro – enchentes, queimadas, derretimento polar, calor e frio extremos, estações desequilibradas – são o resultado distante. Nas zonas urbanas temos o nosso redor, nossas malcuidadas árvores, ou mesmo a falta delas, a maldita poluição sonora a qual se dá tão pouca atenção, a poluição visual, a poluição do ar, tanto a se fazer. O lixo jogado nas ruas, a falta de lixeiras.

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Já me meti por conta do hábito, que não sei de onde vem, de jogarem lixo no pé das árvores. Inclusive lixos visivelmente propositais para assassiná-las, como óleo quente. Olham feio e costumam ainda justificar com “o caminhão vai passar”, “o que você tem com isso?”. Tem quem ainda justifique o crime, reclame da “sujeira” que fazem, que a árvore “atrapalha a visão de seu estabelecimento”. Já ouvi de um tudo. Minha hashtag: #ArvoreNaoELixeira.

Sozinha, cansa. Fora a Prefeitura de São Paulo onde você pode enumerar protocolos, fazer um colar com os números que ficam sem resposta. Pior, cada dia mais autorizam a derrubada de centenas para a construção de condomínios – sempre muito esquisitas aprovações. As podas, quando ocorrem, são barbeiragens.

O diplomata coreano disse na reportagem que a ação é baseada na gentileza e na teoria das “janelas quebradas”. Desenvolvida em 1982, por James Q. Wilson e George L. Kelling. Distinguiram uma relação de causalidade entre desordem e até a criminalidade: a janela quebrada, se mantida, mostra desleixo, impunidade, desordem, e favorece ainda mais desleixo, impunidade, desordem, em um ciclo terrível. A falta de atenção a pequenas infrações transmite a mensagem de que ninguém se importa. Tem toda uma lógica. Podemos fazer muito.

Inclusive enquanto eles lá em cima falam e discutem se vão abrir a carteira, deixar cair umas moedas para nos salvar a todos.

Marli Gonçalves é jornalista, cronista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo e autora de Feminismo no Cotidiano, da Editora Contexto.




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