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Jovens têm o desafio de equilibrar tempo entre redes e vida real

Aluno de São Bernardo diz que plataformas digitais são parte da sua rotina, mas reconhece que longo período on-line pode trazer consequências

Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
08/11/2025 | 09:07
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FOTO: André Henriques | DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


“Sempre tento equilibrar, mas muitas vezes acabo passando do tempo.” A frase do estudante Gabriel Gonçalves da Silva, 17 anos, resume o dilema vivido por grande parte dos jovens, sobre como aproveitar os benefícios das redes sociais sem deixar que o uso excessivo afete a rotina e o bem-estar.

Aluno da EE (Escola Estadual) Professora Clarice de Magalhães Castro, em São Bernardo, Silva diz que as plataformas digitais fazem parte do seu dia a dia. “Me divirto bastante, me informo e, muitas vezes, me expresso por lá”, conta. Ainda assim, reconhece que o tempo on-line pode trazer consequências. “Tem vezes que me fazem muito bem, mas às vezes não. Quando fico muito tempo, acabo ficando ansioso.”

A assistente administrativa e mãe do estudante, Nyvea Pagani, 43, afirma que o equilíbrio vem de diálogo e limites claros. “Aqui em casa, a gente conversa abertamente sobre tudo. Falamos sobre os cuidados com quem conversa, com o que vê, e dos riscos que pode encontrar na internet e na vida”, explica. Ela diz que, conforme os filhos cresceram, a supervisão deu lugar à confiança, mas ainda mantém atenção. “Procuro acreditar que a educação que dei faz com que ele saiba filtrar essas coisas. Mas continuo passando e perguntando o que está vendo, com quem está falando.”

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Para ela, um dos principais erros de muitos pais é evitar impor limites. “Hoje os pais têm medo de dizer não. Mas limite é necessário. Não é porque o filho está quietinho no celular que não está acontecendo nada. Às vezes pode estar vendo algo pior”, alerta.

ASSUNTO DE PROVA

O tema do equilíbrio, já presente nas conversas familiares, também ganhou espaço nas escolas. A redação do Provão Paulista Seriado 2025, exame aplicado na rede estadual, propôs aos alunos o tema Como os adolescentes podem usar as redes sociais sem prejudicar a saúde mental. A temática da redação, definida pela Vunesp (Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista), instituição responsável pela elaboração das provas, foi aplicada a 375,4 mil estudantes da rede pública estadual e conveniadas. No Grande ABC, participaram 20,7 mil alunos do terceiro ano do ensino médio. Gabriel foi um deles.

Para o estudante, o assunto foi direto ao ponto. “Achei o tema bem atual, porque todo mundo vive isso e nem percebe o impacto que causa. Escrevi que o importante é saber o limite da nossa mente e cuidar de si.”

Segundo o psicólogo Leonardo Bourroul, especialista em Clínica Analítico-Comportamental, a reflexão é necessária. “A partir do momento em que há algum tipo de prejuízo, biológico, psicológico ou social é hora de repensar o uso das redes”, afirma. Ele explica que os impactos podem ir desde a perda de sono até o isolamento. “Quando o jovem deixa de estar presente em momentos importantes para ficar nas redes, isso já mostra um desequilíbrio.”

O psicólogo instrui que o primeiro passo para um uso mais equilibrado das redes sociais é identificar qual área da vida tem sido mais afetada. A partir dessa percepção, recomenda-se reduzir gradualmente o tempo de uso, especialmente nos horários em que o celular mais interfere na rotina. Essa diminuição deve ser feita aos poucos, semana a semana, aumentando os intervalos de desconexão até alcançar um número de horas de tela considerado saudável e sustentável.

PARA OS PAIS

Bourroul orienta ainda que os pais observem não só o tempo de uso, mas o propósito. “É importante entender para que o jovem usa as redes. Assim, é possível identificar se o uso é apenas distrativo ou se está servindo como fuga de emoções difíceis”, diz.

O especialista aponta que o caminho mais saudável não é proibir, mas acompanhar. “As redes também fazem parte da vida social dos adolescentes. O desafio está em encontrar o ponto de equilíbrio, de modo que o uso seja produtivo”, conclui.




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