Artigo
FOTO: Freepik

Cerca de 30% dos brasileiros enfrentam algum tipo de alergia, o que equivale a 64 milhões de pessoas, conforme a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Destas, 12,8 milhões são crianças, muitas vezes vivendo com sintomas que comprometem a qualidade de vida e o desenvolvimento, como rinite, asma, dermatite atópica, urticária ou até casos graves, como anafilaxia. Apesar do impacto, as alergias ainda são subestimadas como problema de saúde pública.
Os principais alérgenos no Brasil incluem ácaros, poeira, epitélios de animais, picadas de insetos, alimentos, medicamentos e látex. O estilo de vida urbano também contribui para o aumento nos casos, devido a ambientes fechados, maior exposição à poluição e dietas ricas em conservantes. Globalmente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) alerta que até 2050 metade da população mundial poderá apresentar algum tipo de alergia.
Medicamentos como anti-histamínicos, corticoides e broncodilatadores são usados para alívio de sintomas, mas não tratam as causas. Nesse contexto, a imunoterapia desponta como uma solução inovadora e eficaz.
Conhecida como ‘vacina para alergias’, a imunoterapia consiste na aplicação de doses controladas do alérgeno para dessensibilizar o organismo e alterar a resposta imunológica. O tratamento começa com a fase de indução, onde as doses são frequentes, e avança para a de manutenção, com intervalos regulares.
A imunoterapia regula os anticorpos envolvidos nas reações alérgicas, reduzindo a imunoglobulina E (IgE) e aumentando a IgG4, que bloqueia as respostas aos alérgenos. Quando bem conduzido, o tratamento oferece benefícios prolongados, reduzindo sintomas, uso de medicamentos e promovendo, em alguns casos, remissão mesmo após o término.
Indicada para alergias respiratórias, conjuntivite alérgica e reações a picadas de insetos, a imunoterapia é segura, especialmente na via sublingual, com efeitos adversos graves raros.
Apesar de seus benefícios, a imunoterapia ainda é pouco conhecida no Brasil, devido à dificuldade de diagnóstico precoce e limitado acesso ao tratamento. Diante do aumento nos casos de alergia, é urgente maior conscientização quanto às opções disponíveis e o impacto das alergias na saúde pública.
Investir em educação, diagnóstico precoce e acesso à imunoterapia, além de políticas públicas eficazes, é essencial para conter uma doença silenciosa, mas incapacitante. Afinal, alergias não se resolvem com um simples ‘remedinho’. É preciso atenção e tratamentos modernos que devolvam aos pacientes a chance de respirar aliviados.
Rosana Richtmann é consultora de vacinas Dasa e infectologista do Delboni.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.