Disputa Empresa alega que espaço onde será erguido pátio de manobras inviabiliza acesso à Anchieta
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A DUP (Declaração de Utilidade Pública) de parte do terreno onde estava instalada a antiga fábrica da Ford, em São Bernardo, para a construção da futura Linha 20-Rosa de Metrô inviabilizou o andamento do projeto do condomínio logístico da multinacional Prologis, proprietária da área. As obras da empresa, que estavam previstas para começar neste mês, foram suspensas por tempo indeterminado até que novas tratativas da companhia com o governo de São Paulo e o Metrô sejam feitas.
A Resolução 75, publicada no Diário Oficial do Estado na sexta-feira passada (31), declara “a fins de desapropriação, por via amigável ou judicial” 227,6 mil metros quadrados dos 1 milhão de metros quadrados pertencentes à Prologis. A decisão foi assinada pelo secretário de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo, Rafael Berrini.
O local será usado para a construção de um pátio de manobras do ramal metroviário. Previsto inicialmente para ficar no espaço da antiga Rhodia Química, em Santo André, o replanejamento foi necessário após a construção de centro logístico do grupo australiano Goodman, que será inaugurado na quarta-feira (12).
“A DUP foi emitida em um trecho importante, que inviabiliza o nosso projeto. Temos falado com o governo e o Metrô há dois meses, desde quando foi feito o anúncio de que a área da antiga Ford seria uma opção. Colocamos nossa equipe técnica à disposição. Oferecemos uma área menor dentro do local, onde é possível acomodar tudo o que eles precisam. Não fomos notificados previamente da DUP. Soubemos pela imprensa, quando foi publicado no Diário Oficial”, detalha country manager (gerente nacional) da empresa, Hermano Souza.
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A escolha da área em São Bernardo foi confirmada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Diário em agosto, durante visita à sede do jornal.
O projeto do condomínio logístico da Prologis na região prevê investimento total de R$ 33 bilhões para criação de galpões que podem ser usados por empresas de e-commerce, por exemplo. Ele estipula que os centros de distribuição terão duas formas de acesso ao local. A decisão barra, justamente, a construção de uma das saídas para a Rodovia Anchieta – o que prejudica o planejamento estratégico do local.
“Estávamos prontos para começar (as obras) agora no segundo semestre. Meu cliente precisa de agilidade na entrega. Sem uma dessas saídas, isso não é possível. Acreditamos que é possível conciliar e ter o melhor dos dois mundos em uma área historicamente importante como essa”, destaca Hermano Souza. “Temos a esperança de que vamos conseguir convergir com uma solução ideal para dois projetos tão relevantes.”
Além de geração de empregos, o executivo ressalta que o retorno da construção para a receita municipal é estimado em R$ 1,7 bilhão entre 2025 e 2035.
RESPOSTA
Por nota, o Metrô informou que “estudou exaustivamente” todas as alternativas técnicas para implantação do pátio de manobras da futura Linha 20.
“O terreno da antiga fábrica da Ford mostrou-se como o mais viável, por atender a requisitos fundamentais para a logística da linha, em razão de sua proximidade do traçado, que vai possibilitar a redução de construção de estacionamentos intermediários de trens e servir como ponto estratégico para a partida de duas tuneladoras (tatuzões)”.
Segundo o Metrô, a construção no local evita a desapropriação de no mínimo 10 mil m² de imóveis, inclusive residenciais, e cumpre com o objetivo de iniciar a construção da linha pelo Grande ABC, em direção à Capital.
“Ao longo de todo processo para a elaboração da DUP, o Metrô dialogou com a atual proprietária do terreno e apresentou os argumentos técnicos que demonstram que a área oferecida não atende aos requisitos necessários, podendo inviabilizar a implantação do pátio e dificultar a construção da linha, além de prejudicar o funcionamento do próprio empreendimento futuro do proprietário, pela necessidade de circulação de 600 caminhões diários pelo terreno, para a remoção de terra das escavações”, diz a nota.
O Metrô destaca ainda que utilizará “apenas” 24% do terreno. E que a área a ser desapropriada será indenizada com valor de mercado. Ressalta ainda que a linha beneficiará 1,4 milhão de passageiros.
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