Retorno Chefe do Legislativo volta via decisão do STJ depois de 84 dias afastado, mas vereadores da base governista querem sugerir nova eleição da mesa
André Henriques/DGABC

Depois de obter decisão favorável no STJ (Superior Tribunal de Justiça), Danilo Lima (Podemos) retomou, nesta quinta-feira (6), a presidência da Câmara de São Bernardo, passados 84 dias desde a Operação Estafeta, deflagrada pela Polícia Federal por um suposto esquema de corrupção no Paço, atingindo também o primo e prefeito Marcelo Lima (Podemos). No entanto, vereadores da base já discutem internamente a possibilidade de tentar convencer o chefe do Legislativo a renunciar ao posto, a fim de provocar uma nova eleição da mesa diretora.
Danilo Lima voltou a ocupar a cadeira de presidente do Parlamento por volta das 19h, recuperando o posto que esteve, durante seu afastamento desde 14 de agosto, sob cuidado da agora vice-presidente Ana Nice (PT). O retorno foi sacramentado no dia anterior pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, ao conceder o habeas corpus, atendendo ao pedido de extensão dos efeitos do parecer favorável ao vereador Ary de Oliveira (PRTB), também citado pela Polícia Federal e MP-SP (Ministério Público de São Paulo), afastado por 61 dias do Legislativo.
Entretanto, a exemplo de Ary de Oliveira, Danilo também regressa à vereança ainda precisando respeitar medidas cautelares, entre elas, não entrar em contato com pessoas investigadas em função da Operação Estafeta. Isso inclui os dois vereadores, que passarão a dividir espaço no plenário Tereza Delta e corredores do Legislativo a partir de agora, e também em relação a Marcelo Lima, classificado pelo MP-SP como líder da organização criminosa responsável pela captação de recursos ilícitos. O prefeito ficou 56 dias longe do Paço.
Segundo apuração do Diário, a defesa de Ary de Oliveira entrará nos próximos dias com pedido junto ao STJ de suspensão da medida cautelar que impede o contato entre os investigados, incluindo os vereadores e o prefeito. A alegação é de que tal impedimento prejudica a atuação do parlamentar, designada por meio do voto popular.
Enquanto isso, a permanência de Danilo no comando do maior Parlamento do Grande ABC é colocada em xeque pelos vereadores da base governista, sob justificativa de que as medidas cautelares vigentes impõem um rompimento democrático e institucional na interlocução entre o Legislativo e o Executivo. Também é colocado em discussão o desgaste perante o caso. Os parlamentares ainda devem se reunir na próxima semana, a fim de deliberar sobre o assunto e, em seguida, ver a posição de Marcelo Lima.
Reeleito presidente da Câmara na virada de legislatura, Danilo precisou da intervenção do prefeito para ter uma candidatura consensual entre os 28 vereadores, inclusive aparando divergências entre colegas do próprio partido, o Podemos. A justificativa para o racha anterior é que o podemista queria permanecer no comando da mesa diretora e ainda ser candidato a deputado federal em 2026, assim irritando seus pares.
A renúncia do regressado presidente da Câmara é apontada como saída regimental para provocar uma nova eleição da mesa diretora, visto que é descartada qualquer possibilidade da chefia da Casa ficar com Ana Nice, por não pertencer ao grupo político dos governistas. A petista se reuniu nesta quinta-feira com Marcelo Lima, por volta das 10h, recebendo os agradecimentos do podemista, enquanto exercia temporariamente a presidência do Legislativo. A vereadora também lançou nota resumindo os trabalhos do Parlamento sob seu comando.
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