Levantamento Famílias com até duas pessoas crescem 60% em 12 anos na região e passam de 197.663 para 317.019; lares com seis ou mais caem 55%
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

O Censo 2022 Nupcialidade e Família, divulgado nesta quarta-feira (5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta um crescimento em famílias com até dois integrantes no Grande ABC, em comparação com os dados do Censo 2010, e uma queda de lares com seis ou mais residentes.
O número de residências com até duas pessoas subiu 60% e passou de 197.663 em 2010 para 317.019 em 2022. Já a quantidade de domicílios com seis ou mais moradores caiu 55% na região, saindo de 28.815 para 12.804. Residências com três integrantes também apresentaram crescimento e com quatro ou cinco habitantes teve diminuição. (veja dados na tabela acima)
Nos lares com seis ou mais moradores, a menor escolaridade demonstra que as condições financeiras estão associadas à necessidade de mais pessoas dividirem as despesas. Aproximadamente um terço do número do Censo 2022 (3.790) não tem instrução ou possui ensino fundamental incompleto, 22% (2.825) não completou o ensino médio, 28% (4.923) não tem graduação e apenas 10% (1.266) possui ensino superior completo.
A socióloga e professora do Centro Universitário FMU, Daniele Kowalewski, destaca que a diminuição no número médio de pessoas por domicílio reflete um conjunto de transformações estruturais na sociedade brasileira.
“Essa tendência pode ser compreendida pela consolidação de uma cultura da autonomia e do projeto individual de vida. O lar deixa de ser apenas o espaço da reprodução biológica e passa a ser também um espaço de realização subjetiva e privacidade”, justifica.
Para a especialista, as mudanças demográficas, como o envelhecimento populacional e a redução das taxas de fecundidade, reforçam as novas configurações. “Com menos nascimentos e maior expectativa de vida, as famílias se diversificam, com o aumento de idosos vivendo sozinhos, casais sem filhos e famílias monoparentais”, explica a professora.
Entre as 802.289 famílias registradas em 2022 no Grande ABC, menos da metade - 43% (344.259) - são formadas por casais com filhos. Em 2010, eram 700.581 por diferentes composições familiares, sendo que 52% (362.833) delas eram formadas por casais com filhos. A porcentagem é próxima do cenário nacional, onde esse tipo de composição familiar representa 42% das famílias (24,3 milhões).
Em compensação, o número de casais sem filhos no Grande ABC cresceu de 17% (120.365) para 23% (184.708) em 12 anos. No Brasil, casais sem filhos totalizam 24,1% (13,9 milhões) em 2022.
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MULHERES
Além de pares com ou sem filhos, o censo demográfico do IBGE considera outras configurações familiares, como casais que moram com outros familiares ou mulheres e homens sem o companheiro.
Na região, mulheres com filhos sem um cônjuge, por exemplo, aumentaram para 18% (144.874), segundo o Censo 2022. Em 2010, eram 12,3% (86.328). A quantidade de pessoas do sexo feminino com filhos e sem cônjuge que moram com outros familiares reduziu de 9,2% (64.685) em 2010 para 3,2% (25.706) em 2022.
A professora de sociologia aponta ainda que o fenômeno está associado à autonomia feminina, à expansão da escolarização e à inserção das mulheres no mercado de trabalho. Contudo, para a socióloga, os dados podem ser reflexo da insegurança social e econômica.
“Embora a diminuição dos casais sem filhos possa se manter em determinados contextos e regiões como consequência de crises econômicas e da revalorização da vida familiar, o cenário geral é de pluralização das formas de família. Em termos sociológicos, não se trata de um retorno ao modelo tradicional, mas de uma recomposição complexa, em que diferentes formas de viver o afeto e a parentalidade coexistem e disputam legitimidade”, afirma.
MATRIMÔNIOS
Ainda de acordo com o levantamento demográfico, há 1.240.201 moradores das sete cidades vivendo em uma união. Em 2010 eram 1.126.222. A porcentagem de pessoas que casaram no civil e religioso caiu de 52%(294.017) para 47% (342.023). Já os casamentos apenas no civil subiram de 21% (232.702) para 30% (305.133).
No Brasil, as uniões consensuais superaram as relações formalizadas no civil e religioso. Do total de pessoas que viviam em união conjugal, 38,9% apenas foram morar juntas e 37,9% se casaram no civil e religioso.
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