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FOTO: DGABC

A poluição ambiental é um dos principais desafios da saúde pública contemporânea. Entre seus diversos impactos, destaca-se a forte associação com doenças cardiovasculares, que são responsáveis por milhões de mortes anuais no mundo. Dois tipos de poluição – atmosférica e sonora – têm sido amplamente estudados por seus efeitos nocivos ao sistema cardiovascular, revelando uma ameaça invisível e persistente à qualidade de vida das populações urbanas.
A poluição do ar, composta por partículas finas (PM2.5), dióxido de nitrogênio (NO²), ozônio (O ) e outros poluentes, penetra profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea, desencadeando processos inflamatórios e oxidativos. Esses mecanismos contribuem para a disfunção endotelial, aumento da pressão arterial, formação de placas ateroscleróticas e maior risco de eventos agudos como infarto do miocárdio e AVC (Acidente Vascular Cerebral), insuficiência cardíaca e arritmias, especialmente em idosos e pessoas com comorbidades.
Paralelamente, a poluição sonora – gerada por tráfego, obras, indústrias e atividades urbanas – também exerce influência significativa sobre o sistema cardiovascular. O ruído constante ativa o sistema nervoso simpático, elevando os níveis de cortisol e adrenalina, hormônios relacionados ao estresse. Essa resposta fisiológica pode levar ao aumento da pressão arterial, distúrbios do sono, alterações no ritmo cardíaco e maior risco de doenças cardíacas, ao desenvolvimento de hipertensão e à piora de quadros clínicos preexistentes.
Do ponto de vista social e ambiental, a urbanização acelerada e o crescimento desordenado das cidades intensificam a exposição populacional a níveis elevados de ruído e poluentes atmosféricos. Populações de baixa renda e moradores de áreas periféricas são os mais afetados, em razão da maior proximidade com vias de tráfego intenso e indústrias. Ambas as formas de poluição afetam não apenas o corpo, mas também a mente, contribuindo para quadros de ansiedade e depressão que, por sua vez, agravam os riscos cardiovasculares. Medidas como o incentivo ao transporte sustentável, o uso de tecnologias limpas e o planejamento urbano inteligente são fundamentais para proteger a saúde cardiovascular dos efeitos nocivos da poluição.
Cuidar do meio ambiente, portanto, é também cuidar do coração. Cuidar do coração começa por cuidar do ambiente em que vivemos.
Antonio Carlos Palandri Chagas é médico e professor titular de Cardiologia do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC). Miguel Antonio Moretti é médico e professor associado de Cardiologia do Centro Universitário FMABC.
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