Setecidades Titulo Memória

Uma aula de jornalismo. O gráfico nesta história. Economizando clichês. Tornando o chumbo, ouro...

A aula é dada por Antonio Devanir Leite. Ele fez história nas oficinas do Diário, ao mesmo tempo em que se transformou em ponte com a Redação

Ademir Medici
08/11/2025 | 03:00
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Crédito da foto 1 – Celso Luiz/Banco de Dados (39-5-2010)
Crédito da foto 1 – Celso Luiz/Banco de Dados (39-5-2010) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Na era das redações digitais e dos jornais diagramados com um clique, poucos se lembram de que o noticiário já teve peso real — peso de metal, suor e engenho. 

Nesta crônica, o ex-linotipista Antonio Devanir recorda os primeiros tempos do jornal que viria a se tornar o Diário do Grande ABC e revive o cotidiano das oficinas gráficas em que as notícias nasciam em chumbo quente.

O peso do chumbo e o valor da memória

DGABC

Quando as páginas de jornal eram moldadas em metal e movidas por coragem e amizade 

Antonio Devanir Leite 

No início, quando Dotto, Polesi e Puga fundaram o News Seller — que mais tarde se transformaria no Diário do Grande ABC —, os desafios eram imensos. Além das economias reunidas para construir o prédio e adquirir o maquinário, foi preciso investir também em grandes quantidades de chumbo, indispensável ao funcionamento das linotipos. 

Recordo de um dos diretores confidenciando que o chumbo custava caro. Tanto que, muitas vezes, nós, linotipistas, precisávamos esperar o funcionário encarregado de desmontar as páginas já calandradas, para que o metal pudesse ser reaproveitado nas caldeiras das máquinas. 

Nada se desperdiçava. O chumbo circulava entre nossas mãos e o maquinário como se fosse ouro derretido em linhas.

Esse mesmo diretor contou que o então prefeito de São Bernardo, Lauro Gomes, por diversas vezes presenteou o jornal com grandes quantidades do metal. 

“Vamos ajudar os meninos”, dizia ele, com o carinho e o entusiasmo de quem acreditava na força da imprensa local. 

Hoje, quem se depara com uma página de jornal editada eletronicamente mal imagina que, na época do chumbão, antes do advento do sistema offset, cada página pesava dezenas de quilos. 

Aqui mesmo, no Grande ABC, visitei diversas editoras — entre elas a Metodista e a Casa Publicadora Brasileira — e pude ver de perto galpões imensos, repletos de páginas de livros compostas em chumbo, aguardando reimpressão. 

Era um outro tempo: o tempo do metal quente, do cheiro do óleo gráfico, do barulho compassado das linotipos e das mãos que davam forma às palavras. 

Para se ter uma ideia, uma página de jornal composta em chumbo não era uma folha de papel, mas uma forma tipográfica metálica — uma verdadeira matriz de impressão. 

Cada linha de linotipo, fundida em liga de chumbo, antimônio e estanho, pesava entre 25 e 30 gramas. 

Uma página podia reunir de 1.000 a 1.500 linhas, dependendo do formato e do número de colunas. 

1.000 linhas × 25 g = 25 kg 

1.500 linhas × 25 g = 37,5 kg 

Somavam-se a isso as margens, filetes, títulos e as peças de fixação — regletes, calços e molduras de ferro —, elevando o peso total para entre 25 e 40 quilos por página. 

Nas grandes oficinas gráficas das décadas de 1950 a 1970, essas formas eram movidas com carrinhos e macacos hidráulicos, pois uma edição completa podia ultrapassar centenas de quilos de chumbo. 

Mais do que peso físico, havia ali o peso da notícia, da dedicação e da amizade de quem fazia o jornal acontecer.

E é por isso que, ao recordar esse tempo, me vem à mente que as páginas de chumbo carregavam não apenas letras fundidas — mas também histórias, esperanças e gestos de solidariedade.

Crédito da foto 1 – Celso Luiz/Banco de Dados (39-5-2010)

DEVANIR. Memorialista, deve-se a ele a preservação da linotipo exposta permanentemente no saguão de entrada do Diário do Grande ABC

NAS ONDAS DO RÁDIO

Hugo Borghi.

Bom empresário.

Político, nem tanto.

E quantas histórias.

Texto: Milton Parron

Hugo Borghi foi um empresário bem-sucedido em todas as atividades em que se envolveu, principalmente na área da agropecuária, mas com poucos resultados não tão compensadores nas aventuras políticas em que se envolveu.  

É bem verdade que foi eleito deputado federal em algumas ocasiões, porém, nos voos mais altos nunca se deu bem, tendo sido derrotado todas as vezes em que se candidatou ao governo de São Paulo.  

Adhemar de Barros, a cujo primeiro governo servira como secretário da Agricultura, era uma pedra em seu sapato. Jamais conseguiu derrotá-lo nos confrontos pelos Campos Elíseos (o palácio, antiga sede do governo paulista).   

Essas histórias, que Hugo Borghi me contou em detalhes em entrevista na Rádio Bandeirantes em 1998, poderão ser curtidas no programa Memória deste final de semana.  

Memória - Produção e apresentação: Milton Parron. Rádio Bandeirantes em 86.3 e 90.9. Amanhã, às 7h; sexta-feira, às 23h. Disponível nas principais plataformas digitais, no Spotify e no Apple Podcast.

DIÁRIO HÁ MEIO SÉCULO

Sábado, 8 de novembro de 1975 – Edição 2898

DESTAQUE – Medicina do ABC festejava o seu reconhecimento pelo governo federal.

PRIMEIRO PLANO (Júlio Pinheiro, pseudônimo do jornalista Hermano Pini Filho) – Palácio de Mármore foi como se chamou o salão existente no Moinho São Jorge, em Santo André, frequentado durante muito tempo por pessoas do Grande ABC.

Ali se realizaram recepções, bailes, apresentações artísticas.

Agora, inteiramente reformado, o salão deverá ser novamente aberto. Informa-se que está muito bonito.

NOTA DA MEMÓRIA – Era 1975. Meio século depois, gerações diferentes, o querido Moinho vive uma fase difícil, de transição. Leilão cancelado. Ainda bem. Que o espaço seja revigorado. O mundo torce por isso.

TRANSPORTES – Fundada ontem (7-11-1975) a Associação das Empresas de Transportes e Turismo do Grande ABC. A Assetur tinha à frente o andreense Antonio Carlos Girelli, o Tite.

EM 8 DE NOVEMBRO DE...

1905 – Câmara Federal debatia a necessidade de saneamento da capital, Rio de Janeiro. Dizia-se: “o saneamento deveria começar pelo abastecimento de água e reformada rede de esgotos”.

1930 – A Revolução. Armando Setti vivia seus primeiros dias como prefeito de São Bernardo, espaço do futuro Setecidades.

Uma comissão era nomeada pelo chamado prefeito provisório, a fim de examinar a situação econômico-financeira do Município.

Da comissão faziam parte dois peritos contadores, Oderico Dallos e José Naves Carvalhaes.

1970 - Inaugurado o calçamento das Ruas Beta, Delta e Ilota, na Praia Vermelha, em Eldorado, Diadema.

MUNICÍPIOS BRASILEIROS

No Estado de São Paulo, hoje é o aniversário de Guaimbê e Piacatu.

No Rio Grande do Norte, Monte de Gameleiras e Parelhas.

E mais: Guarani de Goiás (GO), Ibiporã (PR), Jaguaribe (CE), Miranorte (TO), Nova Canaã (BA), Piancó (PB) e Rancho Queimado (SC). 

HOJE

Dia Mundial do Urbanismo

Dia do Radiologista.

Santa Elisabete da Trindade

8 de novembro

Religiosa carmelita (França, 1880-1906)

Ilustração: Comunidade Católica Shalom




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