Política Titulo Distanciamento

Ana Carolina estranha retenção de emendas e não aceita justificativa

Retaliação política pode estar por trás da negativa de autorização para atender demandas da deputada estadual na ordem de R$ 8,8 milhões

03/11/2025 | 23:07
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A deputada estadual Ana Carolina Serra (Cidadania), com base eleitoral no Grande ABC, teve emendas parlamentares, fundo a fundo, de aproximadamente R$ 8,8 milhões retidas pelo governo do Estado. Além da cidadanista, Lucas Bove (PL), Oseias de Madureira (PRD), Mauro Bragato (PSDB), Guto Zacarias (União Brasil) e Dirceu Dalben (Cidadania), todos da base, tiveram recursos suspensos. Entretanto, há garantias do governo que a liberação da verba ocorrerá até o fim deste mês.

A retenção das emendas indicadas pela cidadanista pode ter viés político-eleitoral. Os recursos aos quais tem direto seriam destinados para o custeio da saúde. “É muito desagradável”, lamentou a parlamentar sobre a situação. 

No entanto, a descoberta de que os valores não foram disponibilizados ocorreu minutos antes de evento, na quinta-feira (30), com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes, sede administrativa do Estado. “Foi muito difícil chegar e ser recebida por um auxiliar do governador para ele dizer assim: ‘deputada, vem aqui um minutinho. A senhora não está entre os contemplados no dia de hoje’”, destacou.

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Ao cobrar uma explicação, a deputada acreditava que havia ocorrido algum bloqueio burocrático. “É normal que haja problema de documentação, ou de dados inseridos em sistema”, disse. 

Quando há erros nas solicitações, o Estado pede para que sejam solucionados, o que atrasa os repasses em alguns dias. Entretanto, a parlamentar garantiu que tentaram convencê-la de que houve uma falha do gabinete. “Me causou estranheza (a postura do auxiliar do Tarcísio)”, disse Ana Carolina, ao afirmar que a equipe de gabinete, um dia antes do evento, fez contato com a Secretaria de Saúde confirmando presença na solenidade e a liberação dos repasses.

Do total esperado pela deputada, R$ 6,2 milhões eram para as cidades de Santo André (R$ 5 milhões), Diadema (R$ 500 mil), Mauá (R$ 200 mil), Ribeirão Pires (R$ 200 mil) e Rio Grande da Serra (R$ 300 mil).

Sem uma resposta oficial sobre o motivo da suspensão das emendas, o Diário apurou que seria espécie de retaliação política contra Ana Carolina com o objetivo de minar projeto eleitoral de seu marido, o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB), que tem sido projetado como provável candidato ao governo do Estado, alcançando até 9% das intenções de voto (leia mais abaixo). 

“Infelizmente, lamentamos esse tipo de atuação, porque a meu ver os assuntos não devem ser misturados. O que é técnico é técnico”, reclamou a deputada estadual.

Apesar do descontentamento, Ana Carolina Serra rechaçou qualquer desembarque da base do governo, mas disse que a situação que tem se mostrado é de distanciamento por parte da gestão. “Sei separar bem as coisas. Trabalho é trabalho. Se for algo com relação à política e tiver de partir de alguém, vai ser dele (Tarcísio).

Ana Carolina Serra, em vista ontem ao Diário, foi questionada sobre a possibilidade de migrar para outro partido. A possibilidade não é descartada, mas coloca-se à mesa a conjuntura política, principalmente com relação à federação entre PSDB e Cidadania.

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“Para ter uma decisão vou precisar esperar março (a fim de trocar de partido sem correr o risco de perder o mandato). Existem pormenores que ainda não cabe eu entrar, até com relação à executiva nacional do meu partido (sobre a federação) que não sei como vai estar lá (na frente). A política, ela muda conforme o vento. Hoje, é dado por uma certa quantidade de pessoas que a federação não se sustenta”, disse a deputada estadual.

Paulo Serra não vê ligação política em suspensão de verbas

O ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB), que vem crescendo nas intenções de voto para o governo de São Paulo a cada nova pesquisa, acredita que a decisão do Estado de reter as emendas parlamentares de sua mulher, a deputada estadual Ana Carolina (Cidadania), não tem motivação política. Segundo o tucano, a medida não representa retaliação ao projeto eleitoral em construção para 2026.

“Sou daqueles otimistas. Não acredito que isso (tenha sido uma decisão política). Não vejo ligação entre a questão de um posicionamento político com decisões técnicas de governo”, declarou Serra ao Diário

Os rumores de que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) estaria tentando minar ou enfraquecer prováveis concorrentes na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, se sustentam no desempenho de Paulo Serra em levantamentos de intenção de voto.

Em pesquisa divulgada no início de outubro pelo Instituto Real Time Big Data, Paulo Serra atingiu a preferência de até 9% entre os eleitores consultados. O estudo mostrou ainda que o tucano apresentou a menor rejeição entre os cotados a governador nas eleições de outubro do ano que vem: 15%.

O levantamento foi realizado entre 2 e 3 de outubro, tem grau de confiança de 95%, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O desempenho pré-eleitoral pode ter gerado o desconforto no alto escalão paulista. O ex-prefeito, apesar de estar próximo de atingir dois dígitos nas pesquisas, evita comentar sobre seu futuro político. Segundo Paulo Serra, qualquer decisão será anunciada após movimentação do governador, que é cotado para disputar a presidência da República em 2026. 

“O projeto do PSDB e de todos os partidos que têm o mínimo de equilíbrio para a eleição do ano que vem passa, obrigatoriamente, por uma influência de decisão do próprio Tarcísio”, declarou. Para o tucano, o processo eleitoral ainda está distante e indefinido. “Não tem lógica qualquer antecipação de disputa. Então, não vejo essa disposição do governador em antecipar esse debate ou essa, entre aspas, disputa”, pontuou.

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