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FOTO: DGABC

Escola modelo. Foi com essa bandeira que o ex-prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, inaugurou a EMEB Ministro Paulo Renato Costa e Souza no apagar das luzes de seu segundo mandato em dezembro. A escola de 1º a 5º ano do Ensino Fundamental, no antigo campus da Universidade Metodista, foi anunciada como o maior centro de ensino integral do município.
Porém, quando aberta em janeiro, ficou evidente a precipitação interessada na inauguração. Era alto verão e as salas não tinham ventiladores; os computadores – que ornaram o vídeo pomposo do ex-prefeito – sequer podiam ser ligados, pois não tinha tomada; e, se fossem ligados, nada de rede, pois cabeamento também não tinha ali. Secretaria? Telefone? Também não.
Se a reforma não foi feita com esmero, em contrapartida houve empenho notório da comunidade escolar para identificar esses e outros problemas e criar estratégias para enfrentá-los. A APM (Associação de Pais e Mestres) foi instituída, e a verba destinada a essa entidade somada a outros repasses da Secretaria de Educação permitiram que fossem feitos reparos e adaptações urgentes, como telas em escadas e janelas, bebedouros, rebaixamento de pias.
E eis que no dia 9 de outubro o secretário da Educação anunciou a “suspensão temporária” (leia-se fechamento por tempo indeterminado) da escola no final deste ano. Motivos? Estrutura inadequada às crianças. Mais do que a forma súbita e taxativa do anúncio, causou espanto a ausência de um laudo técnico que o amparasse. Alegam que, para fazer o laudo, o prédio deve estar desocupado, o que implica realocar as 360 crianças na já superlotada rede de ensino integral.
Ora, se essa é a condição, por que não fizeram o laudo nas férias de julho quando já havia recomendação para tanto, como atesta o relatório da Defesa Civil datado de maio? Se agem só agora e se a Secretaria de Obras reconhece que o prédio cuja saúde preocupa é o anexo, ao qual as crianças não têm e nunca tiveram acesso, qual o risco real a que estão expostas? Seja qual for o resultado do laudo, qual a garantia de que o prédio, reparado ou não, continuará a ser uma EMEB?
A ação é um flagrante contrassenso de uma gestão que já tem feito adaptações na escola e que prometeu “ampliar gradativamente o número de escolas do ‘Programa Educar Mais’ de ensino integral até a escala de 100%”. Fica um inevitável questionamento: o fim de uma comunidade escolar cheia do viço e do entusiasmo de uma criança é mesmo incontornável?
Wilker Sousa é jornalista e professor.
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