Artigo
FOTO: DGABC

A vida contemporânea é marcada pela rapidez da tecnologia. Os danos de uma existência desarticulada da consciência se manifestam nas desigualdades socioeconômicas e ambientais e geram crises climáticas, adultização das crianças e infantilização dos adultos. Nesse contexto, emergem questões urgentes, entre as quais: como educar em uma sociedade cujos adultos se encontram infantilizados e as crianças se manifestam adultizadas?
Essa indagação nos remete à instituição escolar, pois ela é o lugar onde a humanidade passa a maior parte do tempo durante seu desenvolvimento. Lá também se encontram diversidades culturais, religiosas, econômicas, sociais e ambientais. Ao refletir sobre esse contexto, percebe-se que é nesse espaço/tempo da sala de aula que é possível estabelecer o cuidado com a humanidade.
Já pensaram na riqueza de compreensões de um grupo diverso acerca do documentário sobre a formação do povo brasileiro, de Darcy Ribeiro? No poder da reflexão sobre questões climáticas, guerras urbanas e diferentes preconceitos? Dessas discussões, vários elementos curriculares estariam sendo contextualizados e, com isso, seria gerada uma aprendizagem significativa.
Trazer o ser humano para esse lugar de centralidade na educação é voltar para a escola o espaço de cuidado com a maneira de o sujeito se relacionar com o mundo. É uma forma de estar consciente do presente e gerar esperança para um possível futuro, mesmo que utópico. Refletir sobre esse tema atravessa também a profissão da docência, que atualmente sofre sem as devidas condições de trabalho e com processos de desvalorização.
O aprender e o ensinar caminham em diálogo. O cotidiano e a ciência se constituem na necessidade de o trabalho se realizar de maneira consciente, bem como no resgate da criatividade e criticidade que há em cada ser, no reconhecimento do seu pertencimento à espécie humana, no cuidado com as futuras gerações, na busca de romper com a sobrevivência baseada em competição, exploração e individualismo.
Devolver o ser humano como centro da educação é constituir a escola como um espaço de pesquisa, de comunidades de conhecimento, onde se produzam curiosidades, críticas, escutas, espaços de fala, reflexões, teoria/práticas e onde se possa diminuir as desigualdades. Iniciar esse trajeto é possibilitar o olhar consciente para sua humanidade, no sentido individual e coletivo, em um movimento de vida.
Cláudia Moraes da Costa Vieira é pedagoga, doutora em Educação e pesquisadora do grupo de Educação Ambiental e Ecologia Humana da UnB (Universidade de Brasília).
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.